Bolsonaro: Será difícil ficar no país se PT ou PSDB vencerem

Deputado Bolsonaro atribui crise econômica à violência, diz que será candidato para cumprir missão de Deus e afirma que ideologia é tão ou mais grave do que corrupção

“Não faço isso por obsessão. Entendo que o que acontece comigo é uma missão de Deus e ponto final.” É assim que o deputado federal Jair Messias Bolsonaro (PSC-RJ), de 62 anos, justifica o interesse em ser pré-candidato à Presidência da República. O militar da reserva ganhou popularidade em um cenário de insatisfação popular com a política e alcançou a segunda colocação na pesquisa Datafolha de junho, com 16% das intenções de voto – o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com 30%.

Bolsonaro rompeu com a direção do PSC e deixará o partido até março do ano que vem, quando abrirá a próxima “janela partidária” – um projeto de reforma política pretende antecipar o prazo. Em busca de uma sigla para abrigar sua candidatura às eleições de 2018, Bolsonaro já conversou com o Muda Brasil, projeto capitaneado pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), condenado no mensalão, e com o PHS. Hoje ele negocia com o PSDC, de José Maria Eymael, citado nas delações da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato.

Simpatizante da ditadura militar e crítico de direitos humanos e programas sociais, Bolsonaro é chamado de aventureiro político por seus opositores. “Esses caras querem me desqualificar. Já cansaram de me chamar de fascista, racista, homofóbico e xenófobo.” O deputado, que atribui a crise econômica à violência urbana, se vê como um “ponto de inflexão” na política. Caso perca a eleição para um candidato do PT, PSDB ou PMDB – “todo mundo é de esquerda” –, diz que cogitará deixar o Brasil. “A questão ideológica é tão ou mais grave que a corrupção.”

Por que o senhor quer disputar a Presidência?

Há alguns anos vinha observando o destino do Brasil, o que temos e o que não somos. Vinha observando o perfil dos candidatos, como eram feitas as negociações e como o povo é esquecido nesse trabalho político que rola em Brasília. Tem muita coisa errada. Nós temos tudo para ser uma grande nação. Faltam homens que tenham o comprometimento com o país, e não com grupos políticos. A partir desse principio, comecei a me preparar para ter chances de disputar alguma convenção partidária.

Quais devem ser as prioridades da campanha?

Hoje em dia não dá para falar em quase nada se você não diminuir a temperatura da questão da violência. O pessoal fala muito em economia, mas o que é a economia perto da violência? O país não tem economia. Eu raramente vou sair à noite para comer uma pizza com a minha família na Barra da Tijuca. Muitas pessoas compram relógio e tênis nas feiras do Paraguai porque serão assaltadas se adquirirem algo razoável. Você não tem economia se não começar no básico, no bê-á-bá. A prioridade de qualquer candidato – e pode ser até a prioridade do Temer agora – é baixar a temperatura da questão da violência.

Não é simplista tratar a crise econômica dessa forma?

Eu estou te dando o bê-á-bá, o que será o alicerce do meu programa. Acho muito simplista, sim, falar que inflação se resolve só com taxa Selic. A dívida chegou a esse monumento por causa dessa política simplista. Aí eu te pergunto: quantos especialistas em economia existem no país? Olha o [Henrique] Meirelles [ministro da Fazenda]. O Meirelles participou do Banco Central do Lula, e estamos nesse caos. Eu que sou o simplista aqui? Olhe onde a elite econômica jogou essa grande nação. Você quer que eu fale outras coisas sobre economia? Quero a desburocratização, quero fazer o possível para diminuir a carga tributária, mas sem falar em um grande acordo. Já assisti mais de uma discussão demoradíssima sobre reforma tributária, em que todo mundo concorda desde que não perca nada. Se for para entrar em campanha para fazer a mesma coisa que esses caras sempre fizeram na economia, eu estou fora.

Parlamentares pedirão que PGR investigue liberação de emendas para base aliada de Temer

Os deputados Alessandro Molon (Rede-RJ) e Aliel Machado (Rede-PR) e o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) deverão entregar à PGR (Procuradoria-Geral da República), na tarde desta segunda-feira, 17, uma representação contra o presidente Michel Temer.

Conforme levantamento do jornal O Estado de S. Paulo publicado neste domingo (16), dos 40 deputados que votaram pela rejeição do parecer que recomendava a abertura de investigação contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, 39 tiveram R$ 266 milhões em emendas parlamentares empenhadas, de acordo com valores atualizados.jair bolsonaro Esse valor corresponde ao período entre junho, após a divulgação da delação do empresário Joesley Batista, que foi usada na denúncia contra Temer, e as duas primeiras semanas deste mês, às vésperas da votação.

Os congressistas da Rede pedirão que a PGR investigue a liberação de emendas para deputados da base governista dentro da votação do parecer sobre a denúncia contra Temer analisada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados.

O documento foi elaborado com base em um levantamento feito pela assessoria de Alessandro Molon sobre as emendas liberadas.

“Queremos impedir que Temer continue usando dinheiro público para obstruir a Justiça e permanecer impune com a ajuda do Congresso. Além disso, queremos impedir que serviços essenciais sejam prejudicados por causa dessas manobras ilegais e irresponsáveis do governo”, afirmou o deputado.

As trocas feitas pelo governo na CCJ da Câmara, antes da votação da denúncia, também ajudaram a elevar o valor desembolsado.bolsonaro 2018 Os 14 deputados que se tornaram titulares do colegiado da Casa com ajuda do Palácio do Planalto receberam mais de R$ 106 milhões em recursos. No entanto, dois deles contrariaram o governo e votaram pela admissibilidade da denúncia: Renata Abreu (Podemos-SP) e Laércio Oliveira (SD-SE).

Fogo amigo

Durante a defesa de seu voto como relator do parecer sobre a denúncia, feito na última quinta-feira (13), Sergio Zveiter (PMDB-RJ) já havia acusado o presidente Temer de usar as verbas de emendas parlamentares em busca de apoio na comissão.

— O senhor Michel temer, contra quem pesam seríssimos indícios, acha que pode, usando bilhões de reais de dinheiro público, submeter a Câmara dos Deputados a seu bel sabor para proibir a sociedade de saber o que realmente aconteceu.

Advogado, Zveiter argumentou que os “bilhões de reais” repassados a parlamentares configurariam ainda crime de obstrução de justiça.

Naquela ocasião, o relatório de Zveiter foi rejeitado por 40 votos a 25 votos, levando à seleção de um novo relator, Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) com um parecer contrário à denúncia feita pela PGR contra o presidente por corrupção. Este novo relatório foi aprovado na CCJ por 41 votos a 25.

O parecer da CCJ agora segue para votação no plenário da Câmara, onde é necessária a aprovação de 2/3 dos 513 deputados federais para autorizar o STF (Supremo Tribunal Federal) a investigar o presidente Michel Temer pela denúncia, apresentada por Eduardo Janot, procurador-geral da República, por corrupção passiva.

Defesa de Lula entra com recurso e pede esclarecimentos sobre ‘omissões e contradições’

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu da decisão do juiz federal Sérgio Moro de condená-lo a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.bolsonaro 2018 Apresentados na sexta-feira (14) pelos advogados do ex-presidente, os chamados embargos de declaração pedem que Moro esclareça supostas “omissões, contradições e obscuridades” na decisão.

Logo no início da solicitação, a defesa critica a “ausência de imparcialidade” do juiz ao julgar o caso,jair bolsonaro argumentando que a sentença proferida não considerou elementos que, para os advogados, atestam que Lula não cometeu os crimes.

Para solicitar os embargos de declaração, o documento protocolado na 13ª Vara Criminal de Curitiba descreve dez pontos que vão desde omissões de Moro quanto às afirmações da defesa a questionamentos sobre a dosimetria da pena aplicada.

A condenação é relativa ao processo que investigou a compra e a reforma de um apartamento triplex no Guarujá, litoral de São Paulo. Na sentença, o magistrado afirma que as reformas executadas no apartamento pela empresa OAS provam que o imóvel era destinado ao ex-presidente. Uma das supostas obscuridades apontadas pela defesa do petista diz respeito à “desqualificação” das declarações de testemunhas que corroboram a tese dos advogados.

“Mais descabido, ainda, é o julgador, ao mesmo tempo em que ignora os testemunhos alinhados com a tese defensiva, considerar somente as declarações que convergem com a hipótese acusatória, estas oriundas, obviamente, de delatores e de aspirantes a delatores, como é o caso do corréu Léo Pinheiro (lembre-se, por relevante, que Léo Pinheiro, como corréu, depôs sem a obrigação da verdade e, ainda, durante a negociação de um acordo de delação premiada, como foi esclarecido por sua Defesa). Tal posição, mais uma vez, denota o comprometimento do juízo como castelo teórico construído pela Força-Tarefa “Lava-Jato” em relação ao ex-presidente Lula”, escreveram.

No tópico referente a supostas omissões de fatos relacionados à transferência do imóvel, a defesa afirma que Moro quis transformar em ‘prova’ o fato de a OAS Empreendimentos não ter tomado qualquer medida para que Lula e a ex-primeira dama, Marisa Letícia, formalizassem a compra do apartamento, desistissem do negócio ou retomassem o pagamento das parcelas.

“Ora, mais uma vez o juízo despreza todo o arcabouço probatório e confere uma interpretação absolutamente descabida aos fatos. A Bancoop não tinha ação para tomar contra D. Marisa. A falecida esposa do e x-p residente Lula tinha um crédito, não uma dívida. Tampouco a OAS Empreendimentos tinha algo a fazer contra D. Marisa. Não havia contrato para obrigar D. Marisa a fazer qualquer pagamento!”, afirma.

Repetindo a sustentação de que há “prova cabal” da inocência de Lula, a defesa alega ainda que a OAS “sempre exerceu faculdades de proprietária do imóvel”. Da mesma forma, o documento aponta que, de acordo com as “provas testemunhais”, o ex-presidente “jamais teve a posse do referido triplex”.

“Mais uma vez: se a proprietária não transferiu a unidade 164-A para o ex-presidente Lula, tendo inclusive cedido os direitos creditórios sobre a venda do referido imóvel a um fundo administrado pela Caixa Econômica Federal; se o ex-presidente Lula não exercia as faculdades de proprietário ou o corpus intrínseco ao possuidor do bem, qual a vantagem indevida obtida, apta a configurar os crimes de corrupção e lavagem? Nenhuma!”, argumenta.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o advogado Cristiano Zanin Martins informou que entrará com recurso de apelação na segunda instância, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, depois que o juiz Sérgio Moro julgar os embargos.

Congresso aprova Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2018

Após concluir a votação dos vetos presidenciais, deputados e senadores aprovaram a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2018, que estabelece as prioridades e metas orçamentárias do governo para o ano que vem.bolsonaro presidente

O texto, que segue para sanção presidencial, mantém a meta fiscal proposta pelo governo e prevê para 2018 deficit primário de R$ 131,3 bilhões para o conjunto do setor público consolidado (que engloba o governo federal, os estados, municípios e as empresas estatais).

Esta será a primeira LDO a entrar em vigor após aprovação da Emenda Constitucional do Teto de Gastos Públicosjair bolsonaro, que atrela os gastos à inflação do ano anterior, por um período de 20 anos.

De acordo com o parecer do relator, Marcus Pestana (PSDB-MG), aprovado pelo Congresso, a aplicação do Teto dos Gastos faz com que exista a avaliação da possibilidade de expandir as depesas primárias (obrigatória e discricionária) tendo como base um aumento de cerca de 3% (ou um incremento de aproximadamente R$ 39 bilhões), que corresponde à correção pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado entre julho de 2016 e junho de 2017.

Entenda a LDO

A LDO define as metas e prioridades do governo para o ano seguinte, orienta a elaboração da lei orçamentária anual e fixa limites para os orçamentos dos poderes Legislativo e Judiciário e do Ministério Público.

O texto prevê o aumento do salário mínimo de R$ 937 para R$ 979 em 2018 e aumenta a meta de déficit primário (Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União) do governo federal para o ano que vem, de R$ 79 bilhões para R$ 129 bilhões. Estatais federais terão como meta o deficit de R$ 3,5 bilhões – nos estados e municípios, a projeção é de superavit de R$ 1,2 bilhão.

Os números não consideram uma eventual aprovação da reforma da Previdência.

A LDO prevê ainda, para o ano que vem, crescimento real da economia brasileira de 2,5%, taxa básica de juros (Selic) em 9%, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,5% no ano e dólar a R$ 3,40 no fim do período.

Caso os números apresentados pelo governo na PLO se confirmarem, o ano de 2018 será o quinto consecutivo de deficit primário. Os saldos negativos contribuem para o crescimento da dívida do governo.

Com a aprovação da LDO, o Congresso pode entrar em recesso, que começa no dia 18 e vai até 31 de julho. É a primeira vez em três anos que os parlamentares aprovam a Lei de Diretrizes Orçamentária no primeiro semestre.

Procurador pede arquivamento de investigação contra Lula

Sob a alegação de que não é possível comprovar uma citação feita pelo ex-senador e delator Delcídio Amaral ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o procurador da República Ivan Cláudio Marx pediu o arquivamento de uma investigação aberta contra o ex-presidente para apurar suposta articulação de Lula, junto com membros do Senado Federal, para atrapalhar as investigações da Operação Lava-Jato.

Na mesma manifestação, o procurador dá a entender que Delcídio citou Lula para obter mais benefícios no acordo de delação premiada firmado com o Ministério Público Federal, como uma espécie de “barganha” e lembra que Delcídio estava preso antes da delação.

O senador cassado havia dito que foi convidado por Lula para uma reunião com os senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e Renan Calheiros (PMDB-AL) no Instituto Lula, em São Paulo, no ano de 2015 e que o objetivo era tentar obstruir o andamento dos casos relacionados à megaoperação. Renan e Lobão negaram ter tratado desse assunto com Lula. Após ouvir os três senadores, o procurador entendeu que não havia elementos de corroboração. Ele não achou necessário ouvir o ex-presidente “em razão de que obviamente não produziria provas contra si próprio”.

“No presente caso, não havendo nenhuma corroboração para a versão apresentada pelo delator, e nem mesmo a possibilidade de buscá-la por outros meios, o arquivamento dos autos é medida que se impõe. No caso, não há que se falar na prática de crime ou de ato de improbidade”, disse Ivan Marx. bolsonaro 2018

‘Barganha’

O procurador Ivan Marx diz que “não se pode olvidar o interesse do delator em encontrar fatos que o permitissem delatar terceiros, e dentre esses especialmente o ex-presidente Lula, como forma de aumentar seu poder de barganha ante a Procuradoria-Geral da República no seu acordo de delação”.

Citando um outro processo que tramita contra Lula jair bolsonaro – já na fase de alegações finais -, sobre suposta compra do silêncio de Nestor Cerveró, Marx explica que Delcídio apontou Lula como “chefe do esquema que determinava o pagamento de propinas a Nestor Cerveró com o intuito de que este não firmasse acordo de delação premiada”.

“Nesse referido processo (40755-27.2016.4.01.3400), no qual o MPF logo apresentará alegações finais, Delcídio se encontrava preso antes da delação. A participação de Lula só surgiu através do relato de Delcídio, não tendo sido confirmada por nenhuma outra testemunha ou corréu no processo”, disse Marx sobre este outro processo.

Apesar de dizer que nenhuma pessoa confirmou o conteúdo trazido por Delcídio neste outro caso, o procurador diz que não está “adiantando a responsabilidade ou não do ex-presidente Lula naquele processo, mas apenas demonstrando o quanto a citação de seu nome, ainda que desprovida de provas em determinados casos, pode ter importado para o fechamento do acordo de Delcídio do Amaral, inclusive no que se refere à amplitude dos benefícios recebidos”.

“Assim, a criação de mais um anexo com a implicação do ex-presidente em possíveis crimes era, sim, do interesse de Delcídio. Por isso, sua palavra perde credibilidade”, disse o procurador.

Reforma trabalhista: Cármen Lúcia nega suspensão da tramitação no Senado

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, negou nesta segunda-feira (10) pedido de parlamentares da oposição para suspender a tramitação da reforma trabalhista, cuja votação está marcada para esta terça (11) no Senado.
Apresentado na semana passada, o mandado de segurança contestava ato do presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), que negou pedido dos oposicionistas por informações do impacto financeiro o orçamentário para a União das mudanças nas regras trabalhistas.
Eunício Oliveira negou o pedido sob o argumento de que tais dados deveriam ter sido coletados durante a tramitação da proposta nas comissões da Casa, que já aprovaram o texto.
Ao rejeitar o pedido para paralisar o andamento da reforma, Cármen Lúcia justificou que não poderia interferir em assunto interno do funcionamento do Senado, em respeito à separação dos poderes.
“Não compete ao Poder Judiciário, por maior que seja a extensão que se pretenda conferir às suas competências constitucionais, analisar o mérito de ato dessa natureza, nesta fase do processo legislativo”, despachou a ministra.
Ela ressalvou que a lei que resultar da aprovação da reforma poderá futuramente ser objeto de questionamento, quanto à sua constitucionalidade, perante o STF.

Cármen Lúcia nega pedidos para suspender andamento de denúncia contra Temer

A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, rejeitou neste domingo (9) dois pedidos para suspender a tramitação da denúncia contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.
O primeiro foi um pedido dos deputados Afonso Motta (PDT-RS) e André Figueiredo (PDT-CE) queriam suspender a tramitação até que o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), colocasse em votação pedidos para ouvir o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre a denúncia.
O segundo pedido negado foi apresentado pelo deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), com a mesma pretensão, de ouvir Janot. Ele alegou que o pedido foi enviado ao STF para “garantir o contraditório no processo e o princípio da igualdade entre as partes”, pois o debate é “essencial” para os integrantes da CCJ decidirem sobre a denúncia.
O presidente da comissão rejeitou os requerimentos sob a alegação que não cabe à Câmara, na análise da denúncia, ouvir o procurador, cabendo aos deputados apenas decidir se o Supremo pode ou não julgar a denúncia contra Temer por corrupção passiva.
Cármen Lúcia negou os pedidos de decisão liminar (provisória) apresentados pelo PDT e por Molon.
“Na esteira da legislação vigente e da consolidada jurisprudência deste Supremo Tribunal na matéria, indefiro este mandado de segurança (art. 10 da Lei n. 12.016/2009) , prejudicado , por óbvio, o requerimento de medida liminar”, diz o resumo da decisão sobre o pedido do PDT no andamento processual. A íntegra ainda não foi divulgada pelo Supremo.
Nesta segunda (10), a CCJ se reúne para apresentação e leitura do parecer do relator da denúncia contra o presidente Michel Temer, deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ).
No parecer, ele dirá se recomenda o deferimento ou indeferimento do pedido de autorização para instaurar o processo no STF. Se o calendário da comissão for cumprido, os deputados da comissão poderão votar o parecer na quinta-feira (13).
Entenda: Todas as suspeitas contra Temer
Reunião no Jaburu
Neste domingo (9), Temer recebeu os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), no Palácio do Jaburu, onde o presidente reside em Brasília.
O encontro durou cerca de uma hora e meia.
À TV Globo, Zveiter disse que já concluiu o relatório. O parlamentar fluminense, que é visto pelo Palácio do Planalto como independente, declarou que não sofreu pressões durante a elaboração do documento.
Alckmin defende saída
Ainda neste domingo (9), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que não há “nenhuma razão” para que o PSDB permaneça na base do governo do presidente Michel Temer após a definição do andamento das reformas trabalhista, previdenciária e política.
“Hoje, o que nós devemos fazer? Aguardar o término das reformas. Terça-feira agora é a [votação da] reforma trabalhista, ela poderá ser aprovada no Senado. E aí vai à sanção presidencial. Também a reforma previdenciária a gente vai saber em pouco tempo se ela vai prosperar ou não. E a reforma política também tem data. Depois disso, eu vejo que não tem nenhuma razão para PSDB participar do governo”, declarou.
Nas mesma linha de Alckmin, o prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB) afirmou que a sigla precisa ter compromisso com o país, e não com o governo.
“Aliás, eu não defendo que o PSDB se mantenha no governo. Eu defendo que o PSDB tenha olhar para o Brasil. Como fazer para que as reformas continuem? Qual a condicionante para que a reforma trabalhista prossiga e seja aprovada?”, questionou Doria.
Denúncia
No fim de junho, Janot denunciou Temer e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) pelo crime de corrupção passiva. A acusação se baseia nas investigações abertas a partir das delações de executivos da JBS no âmbito da Operação Lava Jato.
Em abril deste ano, o ex-deputado e ex-assessor do presidente Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) foi filmado saindo de um restaurante, em São Paulo, com uma mala contendo R$ 500 mil.
Segundo a Procuradoria Geral da República, o dinheiro destinava-se a Michel Temer e era parte de propina paga pela JBS para que a empresa fosse favorecida, por influência do governo, no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), num processo para reduzir preço do gás fornecido pela Petrobras a uma termelétrica da empresa.

Cúpula tucana perde controle da bancada na Câmara e no Senado

Conhecido por ser um partido que define suas diretrizes em um colegiado pequeno de quadros, o PSDB enfrenta um descolamento entre sua cúpula e as bancadas na Câmara e no Senado. Os senadores Aécio Neves, José Serra, o governador Geraldo Alckmin e o ministro Aloysio Nunes Ferreira, que defendem a permanência da legenda no governo, perderam o controle sobre os parlamentares da sigla. Pelo placar do Estado, 14 dos 46 deputados do PSDB dizem que vão votar a favor da admissibilidade da denúncia da Procuradoria-Geral da República. Apenas três votarão contra e 30 estão indecisos ou não quiseram responder.

A contabilidade interna, porém, é mais dramática para os governistas. “A maioria quer que o partido entregue os cargos. Mas não iremos para a oposição e apoiaremos as reformas”, disse o líder tucano na Câmara, Ricardo Tripoli (SP). Para evitar o desgaste de uma reunião da Executiva tucana em Brasília para deliberar sobre a permanência ou desembarque do governo, os tucanos “históricos” articulam um encontro reservado em São Paulo nesta segunda-feira.

A tensão no partido atingiu seu ápice após o presidente interino, senador Tasso Jereissati (CE), dizer que o País “beira a ingovernabilidade”. A declaração irritou Temer e seus aliados tentaram convencer os governadores tucanos a divulgarem uma nota de repúdio.

Apesar da maioria dos sete governadores do PSDB estar alinhada com o presidente Michel Temer, a ideia não vingou. Quem acabou fazendo a réplica então foi o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes. Ele escreveu no Twitter que “nem Lula nem Dilma tiverem esse tratamento de nossa parte quando éramos oposição”.

Isolamento. Um dos aliados mais próximos de Aécio, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) repetiu, ontem, o discurso que cresce no partido: o de que chegou a hora de os tucanos desembarcarem do governo Temer. A posição de Cunha Lima isola cada vez mais o mineiro, que retomou o mandato nesta semana com um pronunciamento em defesa da manutenção do apoio a Temer.

Presidente interino do Senado enquanto o titular, Eunício Oliveira (PMDB-CE), substitui Temer no Palácio do Planalto, Cunha Lima afirmou que será o PMDB, e não o PSDB, o responsável por um eventual fim precoce da atual gestão.

“Podemos estar diante do início do fim com a posição do deputado-relator da denúncia na CCJ da Câmara, que é do PMDB. Porque o presidente Michel Temer não tem nenhum apoio popular, não tem apoio de setores organizados da sociedade, se sustenta basicamente com apoio parlamentar. Se no seu próprio partido esse apoio estremece, é claro que podemos ter um efeito dominó, que poderá levar a um colapso com o desfecho do acolhimento da proposta do procurador-geral (Rodrigo Janot)”, afirmou Cunha Lima, em referência à votação sobre o acolhimento da denúncia contra Temer na Câmara.

Disputa

Segundo ele, o PSDB não pode “virar as costas” para a sua base e deve ouvir os deputados, hoje maioria pelo desembarque. “É o momento de o partido ouvir não os caciques, mas os deputados, que estão no enfrentamento cotidiano do problema e devem ser respeitados”, disse Cunha Lima.

Tripoli também saiu em defesa do presidente interino da legenda. “O Tasso está verbalizando aquilo que pensa a maioria das bancadas no Senado e na Câmara. Isso vai na contramão do que o Aloysio está falando.”

Discordância

Já o prefeito de São Paulo, João Doria, foi no sentido contrário. “Entendo que o PSDB, para tomar uma medida, deve construir isso dentro de uma reunião. Não creio que apenas o presidente, ainda que com todo respeito que devemos ao senador Tasso Jereissati, possa tomar uma decisão dessa natureza individualmente”, afirmou.

Apesar de defender a permanência do PSDB no governo, Alckmin evita dar declarações contundentes. “É evidente que o quadro político foi agravado, temos um quadro bastante grave. Mas temos de separar bem as questões políticas das questões de interesse do País”, afirmou o tucano ontem.

Base aliada do presidente Temer no Congresso dá sinais de abandono

Edição do dia 07/07/2017
07/07/2017 21h42 – Atualizado em 07/07/2017 21h42
Base aliada do presidente Temer no Congresso dá sinais de abandono
Tasso diz que crise está levando país à ingovernabilidade e apoia Maia.
Governo tenta conter a perda de apoio trocando deputados na CCJ.
A semana chega ao fim com a base de sustentação política do presidente Michel Temer dando sinais de dispersão, de abandono. Nos bastidores, os políticos já dão como certo o afastamento de Temer da Presidência.
A cada dia aumentam as vozes no Congresso que consideram inevitável o afastamento de Temer, o que colocaria Rodrigo Maia provisoriamente na Presidência da República. Na quinta-feira (6), o presidente em exercício do PSDB, Tasso Jereissati, disse que a crise está levando o Brasil à ingovernabilidade e que Maia tem condições de dar estabilidade ao país.
Em sentido contrário, nesta sexta-feira (7), o também tucano Aloysio Nunes , ministro das Relações Exteriores, saiu novamente em defesa de Temer. Ele disse que “do ponto de vista dos interesses do Brasil, não poderia haver ocasião mais inoportuna para os recentes ataques de dirigentes do PSDB ao presidente da República, quando ele representa nosso país na cúpula do G20”.
Horas depois, outra liderança do PSDB, o vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima, voltou a dizer que Temer perdeu as condições de governar o país. Ele afirmou que seis dos sete deputados do PSDB na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara já decidiram votar contra Temer. E defendeu que o PSDB siga o quanto antes a vontade dos deputados de deixar o governo.
“Há uma deterioração sim do quadro político nacional. O partido vai ter que escolher se quer ficar com sua bancada na Câmara ou se quer ficar com o conforto dos cargos no governo. Eu ficarei com a bancada na Câmara Federal, que é quem tem a responsabilidade de tomar essas decisões, que está com o pescoço na guilhotina, que está na linha de frente e que não pode essa bancada ser abandonada pelo partido”, afirmou o vice-presidente do Senado.
O governo tenta conter a perda de apoio trocando deputados na CCJ. Já são cinco substituições de deputados de partidos aliados do governo em dez dias.
“Em um momento dramático como esse na vida nacional, querer ser representado pela CCJ por gente que efetivamente leve a posição do partido. Então eu vejo como absolutamente normais as mudanças que estão acontecendo”, disse o deputado Carlos Marun (PMDB-MS).
A oposição critica a estratégia.
“Trocar a condição de suplente por condição de titular na CCJ é expressão de desespero”, declarou a deputada Érika Kokay (PT-DF).
O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, têm feito apelos aos governadores em busca de apoio a Temer, mas eles não estão conseguindo o resultado que esperavam. O clima no governo é de desânimo. E, no Palácio do Planalto, aumenta a sensação de que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, está trabalhando nos bastidores para ficar no lugar de Temer.
Rodrigo Maia nega. Em viagem à Argentina, disse que seu papel é manter posição de neutralidade no processo.
“Como presidente da Câmara neste momento, eu disse ontem a vocês, não me cabe fazer defesas na tribuna da Câmara, na presidência da Câmara, me cabe ser o coordenador da votação do processo da denúncia e é por isso que eu tenho me mantido afastado do tema. Eu aprendi em casa a ser leal, a ser correto e serei com o presidente Michel Temer sempre”, disse o presidente da Câmara.
O relator da denúncia na CCJ, Sergio Zveiter, do PMDB, disse que já escreveu o parecer e que deve ser entregue na segunda-feira (10). Ele afirmou que está fazendo um trabalho jurídico, sem concessões políticas.
“Eu concluí a elaboração hoje. Pretendo fazer a última revisão amanhã, porque, se tudo correr bem, na segunda-feira eu tenho que ler o meu relatório lá na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania. Então já terminei e amanhã eu vou fazer os últimos ajustes. Quem vai dar a resposta não sou, é o Poder Legislativo, que é um poder autônomo e independente. Que se manifesta através do resultado da votação de todos os deputados e deputadas que estiverem presentes primeiro na CCJ e, depois, no plenário da Câmara”, disse o relator.
Nesta sexta-feira, os deputados Afonso Mota e André Figueiredo, do PDT, pediram que o Supremo suspenda o andamento da denúncia contra Temer na CCJ até que a comissão decida ouvir testemunhas. E o deputado Alessandro Molon, da Rede, entrou com mandado de segurança para obrigar a CCJ a ouvir o procurador-geral da República, os peritos que analisaram a gravação de Temer com Joesley Batista e outras testemunhas.
Na quinta-feira, o presidente da CCJ disse que não cabe à comissão produzir provas e, por isso, foi contra os depoimentos. Mas, ao contrário do que quer o governo, Rodrigo Pacheco voltou a afirmar, nesta sexta, que não vai haver pressa para encerrar o debate na comissão. Levará o tempo que for necessário.
“Nós vamos preservar todos os direitos de todos os deputados se manifestarem, de promoverem as questões de ordem e vamos recolhê-las, e vamos decidir todas as questões”, disse o presidente da CCJ, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG).

Lula: Maia já se prepara para assumir presidência

ANGELA BOLDRINI
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se prepara para ser “o sucessor do golpe”.
“Certamente o Rodrigo Maia já deve estar se preparando para ser o próximo presidente, o sucessor do golpe”, disse Lula para a plateia formada por militantes petistas. “E nós não podemos achar que um golpista é melhor que o outro.”
As declarações foram dadas durante a posse da senadora Gleisi Hoffmann (PR) como presidente do PT, em Brasília, nesta quarta-feira (5). Ela foi eleita em junho durante o congresso do partido, após disputa com o colega de Senado Lindbergh Farias (RJ).
No discurso curto, de cerca de 20 minutos, o ex-presidente pediu aos militantes do partido cautela com relação à saída do presidente Michel Temer (PMDB), por afirmar que há dois movimentos contrários ao peemedebista no país, o do PT e o da Rede Globo.
“É importante lembrar que a razão pela qual nos queremos a saída do Temer não é a mesma pela qual a Globo quer”, disse. “A gente não pode brincar de achar que o que a Globo quer é para o bem do Brasil.”
O jornal “O Globo”, do grupo Globo, revelou a conversa entre Temer e o empresário Joesley Batista, da JBS, que embasa a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Segundo o petista, a Globo busca um candidato para enfrentar Lula nas eleições presidenciais de 2018. “Daqui a pouco eles colocam o próprio Roberto Marinho, colocar o Luciano Huck, o Faustão, a Miriam Leitão… Daqui a pouco vão pedir pro Papa transferir o título para o Brasil para eles colocarem nas pesquisas”, disse, sob muitos aplausos.
Apesar de citar explicitamente a emissora, o ex-presidente citou indiretamente a Lava Jato. “Eu não admito que digam que o PT é contra o combate à corrupção”, disse. “Nós somos contra que se faça pirotecnia para negar a política desse pais, com meia dúzia de pessoas que acham que são donas da verdade.”
Em seu discurso de posse, Gleisi citou o período turbulento pelo que passa a sigla. Ao cumprimentar Rui Falcão, que a precedeu no cargo, afirmou que ele o partido vive “seus tempos mais difíceis”.
Depois, também citou a Lava Jato. Ela, assim como o ex-presidente Lula, é ré na operação. A senadora disse que “tendo claro o lado da historia que nos estamos, não tem vendaval, não tem furacão, não tem caçada, presidente Lula, que possa nos afetar.”
A senadora cobrou que o partido não tenha “arrogância”, e pediu união aos partidos de esquerda, com o PC do B, o PDT e o PSB —este desembarcou recentemente do governo de Michel Temer.
Já a ex-presidente Dilma Rousseff afirmou que a “história está sendo muito severa e implacável com os líderes do golpe”.
Dilma citou nominalmente o senador Aécio Neves (PSDB), que ficou afastado do mandato por decisão do STF, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-deputado preso pela Lava Jato, e Michel Temer (PMDB), denunciado pelo procurador-geral da República.
Ela afirmou em discurso que o PT está recuperando espaço no cenário político atual.
“Quantas vezes deram o atestado de que nós tínhamos morrido? E hoje por qualquer aspecto que se olhe, o PT é sem dúvida o partido que vai cada vez mais resgatar o espaço que sempre teve”, afirmou.