Bolsonaro é favorito para vencer se disputar o segundo turno

Essa não é uma eleição sobre vender esperança, como foi 2002. Essa será a eleição da indignação, numa espécie de efeito retardado de 2013. A avaliação é de Mauricio Moura, CEO da Ideia Big Data, uma consultoria com experiência em campanhas nos EUA e no Brasil.




É por isso que ele diz que candidatos com perfil “indignado”, como o esquerdista Ciro Gomes e o deputado de extrema direita Jair Bolsonaro, são potencialmente competitivos numa disputa na qual Luiz Inácio Lula da Silva está virtualmente fora e Luciano Huck diz que jogou a toalha. “Com a saída de Huck, quem ganha é quem disputa o campo popular: o PT, Ciro, Marina e até mesmo Bolsonaro”.

Moura fechou recentemente parceria para trabalhar com Guillaume Liegey, que foi um dos marqueteiros de Emmanuel Macron na eleição francesa, e os dois participaram no começo do mês de uma maratona de conversas com pré-candidatos ou seus enviados, inclusive presidenciais, num trabalho de prospecção. O brasileiro, no entanto, afirma que o objetivo principal de sua empresa é trabalhar nas campanhas regionais. “No plano nacional, nossa prioridade é ainda trabalhar com o mercado financeiro como cliente”, diz o também professor de estatística na Universidade George Washington, nos Estados Unidos.

Bolsonaro presidente 2018

Você diz que, se há uma eleição em que outsiders e partidos pequenos têm chance nas majoritárias, é essa. Isso é muito contraintuitivo no Brasil onde a TV e a estrutura partidária costumam ser cruciais. No que você se baseia para dizer isso?




Em 2013, nas grandes manifestações, gerou-se uma expectativa de que houvesse mudanças radicais nas eleições, mas 2014 acabou sendo um ano, em termos de majoritárias, de muita continuidade. Acredito que o Flávio Dino (PCdoB), no Maranhão, foi a única ruptura que a gente teve. Ele conseguiu quebrar um ciclo de poder de mais de 50 anos.

Em 2014 a gente não via essa demanda por mudança tão forte como estou vendo agora. Eu não via essa indignação que estou vendo agora. Mais do que mudança, essa é uma eleição de indignação e estamos no ápice do “novo” no Brasil. Por isso, minha hipótese é que as eleições majoritárias vão dar margens a muitas surpresas. Digo surpresas com candidatos fora dos partidos tradicionais: PSDB, PT e PMDB. São partidos que sofreram muito com a Operação Lava Jato, que conseguiu colocar no imaginário do eleitor que esses partidos são iguais. Eu tenho um dado, de uma pesquisa que a gente fez no final do ano passado, de que 75% das pessoas não gostaria de votar em nenhum candidato do PSDB, PT e PMDB na eleição presidencial. Mas você fala: mas o Lula está na frente. Sim, mas o Lula está acima do PT, é um caso particular.

Mais sobre data das eleições 2018.

Bolsonaro: Será difícil ficar no país se PT ou PSDB vencerem

Deputado Bolsonaro atribui crise econômica à violência, diz que será candidato para cumprir missão de Deus e afirma que ideologia é tão ou mais grave do que corrupção

“Não faço isso por obsessão. Entendo que o que acontece comigo é uma missão de Deus e ponto final.” É assim que o deputado federal Jair Messias Bolsonaro (PSC-RJ), de 62 anos, justifica o interesse em ser pré-candidato à Presidência da República. O militar da reserva ganhou popularidade em um cenário de insatisfação popular com a política e alcançou a segunda colocação na pesquisa Datafolha de junho, com 16% das intenções de voto – o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com 30%.

Bolsonaro rompeu com a direção do PSC e deixará o partido até março do ano que vem, quando abrirá a próxima “janela partidária” – um projeto de reforma política pretende antecipar o prazo. Em busca de uma sigla para abrigar sua candidatura às eleições de 2018, Bolsonaro já conversou com o Muda Brasil, projeto capitaneado pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), condenado no mensalão, e com o PHS. Hoje ele negocia com o PSDC, de José Maria Eymael, citado nas delações da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato.

Simpatizante da ditadura militar e crítico de direitos humanos e programas sociais, Bolsonaro é chamado de aventureiro político por seus opositores. “Esses caras querem me desqualificar. Já cansaram de me chamar de fascista, racista, homofóbico e xenófobo.” O deputado, que atribui a crise econômica à violência urbana, se vê como um “ponto de inflexão” na política. Caso perca a eleição para um candidato do PT, PSDB ou PMDB – “todo mundo é de esquerda” –, diz que cogitará deixar o Brasil. “A questão ideológica é tão ou mais grave que a corrupção.”

Por que o senhor quer disputar a Presidência?

Há alguns anos vinha observando o destino do Brasil, o que temos e o que não somos. Vinha observando o perfil dos candidatos, como eram feitas as negociações e como o povo é esquecido nesse trabalho político que rola em Brasília. Tem muita coisa errada. Nós temos tudo para ser uma grande nação. Faltam homens que tenham o comprometimento com o país, e não com grupos políticos. A partir desse principio, comecei a me preparar para ter chances de disputar alguma convenção partidária.

Quais devem ser as prioridades da campanha?

Hoje em dia não dá para falar em quase nada se você não diminuir a temperatura da questão da violência. O pessoal fala muito em economia, mas o que é a economia perto da violência? O país não tem economia. Eu raramente vou sair à noite para comer uma pizza com a minha família na Barra da Tijuca. Muitas pessoas compram relógio e tênis nas feiras do Paraguai porque serão assaltadas se adquirirem algo razoável. Você não tem economia se não começar no básico, no bê-á-bá. A prioridade de qualquer candidato – e pode ser até a prioridade do Temer agora – é baixar a temperatura da questão da violência.

Não é simplista tratar a crise econômica dessa forma?

Eu estou te dando o bê-á-bá, o que será o alicerce do meu programa. Acho muito simplista, sim, falar que inflação se resolve só com taxa Selic. A dívida chegou a esse monumento por causa dessa política simplista. Aí eu te pergunto: quantos especialistas em economia existem no país? Olha o [Henrique] Meirelles [ministro da Fazenda]. O Meirelles participou do Banco Central do Lula, e estamos nesse caos. Eu que sou o simplista aqui? Olhe onde a elite econômica jogou essa grande nação. Você quer que eu fale outras coisas sobre economia? Quero a desburocratização, quero fazer o possível para diminuir a carga tributária, mas sem falar em um grande acordo. Já assisti mais de uma discussão demoradíssima sobre reforma tributária, em que todo mundo concorda desde que não perca nada. Se for para entrar em campanha para fazer a mesma coisa que esses caras sempre fizeram na economia, eu estou fora.

Bolsonaro volta a crescer e se aproxima de Lula em disputa pela presidência

O pré-candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSC) cresceu sete pontos percentuais em um mês e já aparece em empate técnico com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), informa pesquisa de intenção de voto do DataPoder360. Lula tem a preferência de 26% dos eleitores. A pesquisa, estimulada, foi realizada entre 9 e 10 de julho, com 2.178 entrevistados em 203 municípios. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Quando o pré-candidato do PSDB é o governador paulista Geraldo Alckmin, Bolsonaro é o único a apresentar crescimento fora da margem de erro em comparação com junho.

Favorito, Lula tem queda quando simulado um cenário com o prefeito João Doria como candidato tucano. A pesquisa foi realizada antes da condenação de Lula pelo juiz Sergio Moro, na semana passada.

Alckmin tem até agora o seu melhor desempenho desde abril. O tucano surge com 10%, uma evolução de seis pontos percentuais em relação a dois meses atrás. Quem também cresce – seis pontos – nas projeções é Marina Silva, do Rede, no cenário com Doria candidato. Ela atinge 12% e empata na margem de erro com o prefeito paulistano (13%).

Doria se manteve no mesmo patamar desde a primeira pesquisa feita pelo instituto, em abril. Hoje, tem 13%. O nome do prefeito é mais forte no Sudeste (20%) e Sul (21%), mesmas regiões onde Bolsonaro presidente domina, com até 53% de preferência. No Nordeste, Doria tem só 2%. Eleitores indecisos, que votariam branco ou nulo somam 34%.

Base aliada do presidente Temer no Congresso dá sinais de abandono

Edição do dia 07/07/2017
07/07/2017 21h42 – Atualizado em 07/07/2017 21h42
Base aliada do presidente Temer no Congresso dá sinais de abandono
Tasso diz que crise está levando país à ingovernabilidade e apoia Maia.
Governo tenta conter a perda de apoio trocando deputados na CCJ.
A semana chega ao fim com a base de sustentação política do presidente Michel Temer dando sinais de dispersão, de abandono. Nos bastidores, os políticos já dão como certo o afastamento de Temer da Presidência.
A cada dia aumentam as vozes no Congresso que consideram inevitável o afastamento de Temer, o que colocaria Rodrigo Maia provisoriamente na Presidência da República. Na quinta-feira (6), o presidente em exercício do PSDB, Tasso Jereissati, disse que a crise está levando o Brasil à ingovernabilidade e que Maia tem condições de dar estabilidade ao país.
Em sentido contrário, nesta sexta-feira (7), o também tucano Aloysio Nunes , ministro das Relações Exteriores, saiu novamente em defesa de Temer. Ele disse que “do ponto de vista dos interesses do Brasil, não poderia haver ocasião mais inoportuna para os recentes ataques de dirigentes do PSDB ao presidente da República, quando ele representa nosso país na cúpula do G20”.
Horas depois, outra liderança do PSDB, o vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima, voltou a dizer que Temer perdeu as condições de governar o país. Ele afirmou que seis dos sete deputados do PSDB na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara já decidiram votar contra Temer. E defendeu que o PSDB siga o quanto antes a vontade dos deputados de deixar o governo.
“Há uma deterioração sim do quadro político nacional. O partido vai ter que escolher se quer ficar com sua bancada na Câmara ou se quer ficar com o conforto dos cargos no governo. Eu ficarei com a bancada na Câmara Federal, que é quem tem a responsabilidade de tomar essas decisões, que está com o pescoço na guilhotina, que está na linha de frente e que não pode essa bancada ser abandonada pelo partido”, afirmou o vice-presidente do Senado.
O governo tenta conter a perda de apoio trocando deputados na CCJ. Já são cinco substituições de deputados de partidos aliados do governo em dez dias.
“Em um momento dramático como esse na vida nacional, querer ser representado pela CCJ por gente que efetivamente leve a posição do partido. Então eu vejo como absolutamente normais as mudanças que estão acontecendo”, disse o deputado Carlos Marun (PMDB-MS).
A oposição critica a estratégia.
“Trocar a condição de suplente por condição de titular na CCJ é expressão de desespero”, declarou a deputada Érika Kokay (PT-DF).
O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, têm feito apelos aos governadores em busca de apoio a Temer, mas eles não estão conseguindo o resultado que esperavam. O clima no governo é de desânimo. E, no Palácio do Planalto, aumenta a sensação de que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, está trabalhando nos bastidores para ficar no lugar de Temer.
Rodrigo Maia nega. Em viagem à Argentina, disse que seu papel é manter posição de neutralidade no processo.
“Como presidente da Câmara neste momento, eu disse ontem a vocês, não me cabe fazer defesas na tribuna da Câmara, na presidência da Câmara, me cabe ser o coordenador da votação do processo da denúncia e é por isso que eu tenho me mantido afastado do tema. Eu aprendi em casa a ser leal, a ser correto e serei com o presidente Michel Temer sempre”, disse o presidente da Câmara.
O relator da denúncia na CCJ, Sergio Zveiter, do PMDB, disse que já escreveu o parecer e que deve ser entregue na segunda-feira (10). Ele afirmou que está fazendo um trabalho jurídico, sem concessões políticas.
“Eu concluí a elaboração hoje. Pretendo fazer a última revisão amanhã, porque, se tudo correr bem, na segunda-feira eu tenho que ler o meu relatório lá na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania. Então já terminei e amanhã eu vou fazer os últimos ajustes. Quem vai dar a resposta não sou, é o Poder Legislativo, que é um poder autônomo e independente. Que se manifesta através do resultado da votação de todos os deputados e deputadas que estiverem presentes primeiro na CCJ e, depois, no plenário da Câmara”, disse o relator.
Nesta sexta-feira, os deputados Afonso Mota e André Figueiredo, do PDT, pediram que o Supremo suspenda o andamento da denúncia contra Temer na CCJ até que a comissão decida ouvir testemunhas. E o deputado Alessandro Molon, da Rede, entrou com mandado de segurança para obrigar a CCJ a ouvir o procurador-geral da República, os peritos que analisaram a gravação de Temer com Joesley Batista e outras testemunhas.
Na quinta-feira, o presidente da CCJ disse que não cabe à comissão produzir provas e, por isso, foi contra os depoimentos. Mas, ao contrário do que quer o governo, Rodrigo Pacheco voltou a afirmar, nesta sexta, que não vai haver pressa para encerrar o debate na comissão. Levará o tempo que for necessário.
“Nós vamos preservar todos os direitos de todos os deputados se manifestarem, de promoverem as questões de ordem e vamos recolhê-las, e vamos decidir todas as questões”, disse o presidente da CCJ, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG).

Câmera registrou queda de helicóptero que matou noiva, e vídeo é usado em investigação

Um vídeo inédito achado pelo irmão da noiva quatro dias após a queda do helicóptero em que ela estava, em São Lourenço da Serra, na Grande São Paulo, mostra o interior do helicóptero que levava a noiva Rosemeire Nascimento da Silva ao seu casamento. Os quatro ocupantes morreram no um acidente que chocou o país em dezembro de 2016.
O vídeo, que mostra o voo desde o início até a queda, já está sendo usado na investigação da Polícia Civil e da Aeronáutica. Para o advogado que representa os parentes dos mortos, as imagens apontam “erros crassos” do piloto. A empresa proprietária do helicóptero informou que não vai se manifestar. Abaixo nesta reportagem, leia o que dizem os advogados.
Os vídeos desta reportagem contêm trechos do acidente. ATENÇÃO: as imagens são fortes.
O G1 mostrou as imagens para um especialista independente. Segundo o coronel da reserva da Aeronáutica Luís Lupoli, as imagens mostram possíveis erros cometidos pelo piloto Peterson Pinheiro nos momentos finais do voo (leia mais sobre a análise do especialista abaixo).
Além da noiva e do comandante, também estavam a bordo da aeronave o irmão de Rosemeire, Silvano Nascimento da Silva, e a fotógrafa Nayla Cristina Neves Lousada, que estava grávida de seis meses.
A câmera era levada pela fotógrafa e foi encontrada quatro dias depois por um irmão da noiva, que procurava pertences pessoais da família que teriam se perdido no local da tragédia. O equipamento foi entregue às autoridades dias depois.

O vídeo mostra o momento da decolagem, ocorrida no hangar da empresa proprietária do helicóptero, em Osasco, na Grande São Paulo, com sol e tempo aberto. Eram 16h de 4 de dezembro de 2016 e Rosemeire faria uma surpresa ao noivo, Udirley Damasceno, chegando voando ao buffet onde o casamento seria realizado.
Após 21 minutos de voo, o tempo fecha e há muita neblina. Pelo vídeo, é possível perceber que, nos quatro minutos e 45 segundos seguintes, o piloto enfrenta dificuldades para encontrar o local onde seria celebrado o casamento, o buffet de festas Recanto Beija-Flor, alugado pela família, e também para manter a aeronave estabilizada.

A pedido do G1, o coronel da reserva da Aeronáutica Luís Lupoli, que foi investigador no Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), assistiu ao vídeo da câmera da fotógrafa.
O perito Luís Lupoli diz:
Em meio à neblina e às nuvens, o piloto altera o controle da aeronave, tentando manter a operação visual, mesmo estando em condições de voo e de operação por instrumentos, desorientando-se.
Na avaliação do perito, o piloto errou quando decidiu seguir voo a partir deste momento, apesar de o tempo ter fechado rapidamente.
Para o militar, as imagens mostram que o piloto estava desorientado espacialmente
Os registros do painel, em especial os equipamentos de horizonte artificial (uma linha azul, em 180 graus, que mostra se a aeronave está alinhada junto ao horizonte) e velocímetro, apontam que a aeronave virou várias vezes na diagonal, curvando-se acentuadamente para os dois lados e perdendo velocidade antes da queda.
Após analisar as imagens, o coronel Lupoli entende que é possível que o piloto não tivesse conhecimento para operar o helicóptero, um Robinson R44 Raven II, prefixo PR-TUN, em condições por instrumentos, pois realiza movimentos bruscos para tentar estabilizar a aeronave.
A aeronave que caiu só poderia ser utilizada, conforme seu registro oficial, para operações em condições visuais, em que o piloto usa referências visuais de solo, horizonte e tempo, e não apenas os instrumentos a bordo.
O que o piloto poderia fazer
O acidente ocorre nos 15 últimos segundos do vídeo, quando o helicóptero está quase tocando o solo à direita e o piloto, na tentativa de impedir a colisão, movimenta bruscamente, novamente, o manche para a esquerda.
“O certo seria subir para a altitude mínima de segurança da região que sobrevoava e ir para um aeródromo que operasse por instrumentos para realizar o pouso, ou até mesmo voltar para uma região que conseguisse operar em condições visuais”, aponta o oficial. “O piloto foi diminuindo a velocidade para tentar continuar o voo naquelas condições [de tempo fechado, neblina e chuva fraca]. Ele estava em condições de voo por instrumentos e, aparentemente, se desorientou ao tentar operar em condições visuais. Ele joga muito (a aeronave) para um lado e para o outro”, explica o coronel.
“Ele perdeu a orientação e o controle da aeronave. Quando ele bate para um lado e para o outro [o manche], com comandos abertos de um lado para o outro, a impressão que temos é que ele tentou corrigir para um lado e acabou perdendo o controle. Em uma situação em que ele começa a brigar muito com o helicóptero para mantê-lo voando, é a hora que ele deveria fazer o pouso”, salienta o ex-investigador, que aponta que o piloto deveria estar sob pressão para realizar o voo.
As imagens mostram ainda que, durante o voo, a fotógrafa Nayla questiona o piloto sobre se ele conhece o local do buffet onde o casamento seria realizado e se está seguindo o GPS para chegar ao local. Peterson Pinheiro responde que conhece a região e sabe como chegar.
Os advogados da família da noiva, de seu irmão e da fotógrafa estão analisando as imagens para entrar com um processo na Justiça contra a empresa Helicopter Charter Service do Brasil (HSC Táxi Aéreo), proprietária do helicóptero, e a Voenext, companhia que intermediou a compra do voo pela noiva. A defesa afirma que pedirá indenização por danos morais, pelas mortes, e danos materiais, pelos gastos do noivo com o casamento que não se realizou.

Para os advogados, o vídeo é prova inequívoca de erros do piloto na condução da aeronave. “As imagens mostram o desespero dos passageiros e o erro crasso do piloto. Ninguém está querendo tripudiar o erro do piloto, mas é possível ver que ele fica puxando os instrumentos e o manche sem perceber o perigo. Ele está dando cambalhotas e não sabia disso, ele não tinha ideia do que estava fazendo”, aponta o advogado das famílias, Fernando Henrique dos Reis, integrante da banca Josmeyr Oliveira Advogados.
“Iremos pontuar no processo que a empresa Voenext funciona como intermediadora e não tem autorização para fazer voos de traslados e de táxi aéreo, assim como a HCS, pois o helicóptero era registrado para uso privado. Isso só agrava mais a responsabilidade das empresas, que não poderiam efetuar este tipo de serviço. Além disso, o piloto era funcionário da HCS, há responsabilidade da empresa pelo serviço dos funcionários”, afirma o advogado.
Procurada pelo G1, a empresa proprietária do helicóptero, a HCS, informou que não iria se manifestar sobre a investigação. Já a companhia que intermediou o voo, a Voenext, disse que não cabe a ela analisar questões técnicas, que mostrou solidariedade e se colocou à disposição da famílias (leia mais abaixo sobre o posicionamento das empresas).
Tanto a empresa dona do helicóptero quanto a que intermediou o voo são investigadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), já que a aeronave estava registrada apenas para serviço aéreo privado e não poderia ser utilizada para táxi-aéreo ou serviço remunerado.
A câmera foi encontrada pelo familiar após a Polícia Técnico Científica e a Aeronáutica já terem feito perícia no local. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) ainda aguarda resultado de laudos para concluir sua investigação. O inquérito da Polícia Civil está sob sigilo de Justiça e também aguarda documentos e análises para ser finalizado.

O casamento
Rosemeire, que tinha 32 anos, iria fazer uma surpresa para o noivo, que a esperava no altar e não sabia que ela iria chegar voando ao buffet alugado pela família. O helicóptero caiu na Estrada da Barrinha, uma região de mata fechada próxima à Rodovia Régis Bittencourt, em 4 de dezembro de 2016. O percurso da base da empresa HCS, em Osasco, até o buffet, duraria 25 minutos e foi praticamente este o tempo até a queda.
Para realizar o sonho de chegar de helicóptero ao buffet no meio da serra, a noiva pagou R$ 1.800 em duas prestações, de R$ 1.200 e mais R$ 600, escondido do futuro marido. Segundo os advogados da família, R$ 200 deste montante foram repassados pela empresa para a HCS. “Ela dizia assim: ‘Na segunda-feira, todo mundo vai falar que sou rica’”, relembra Helaine Alves, a viúva de Silvano. Foi Helaine quem fez todos os preparativos para o voo e ajudou Rosemeire a preparação a celebração para cerca de 300 convidados.
A pequena câmera que gravou todo o voo era levada pela fotógrafa Nayla, que estava sentada na parte da frente da aeronave, à esquerda do piloto. Atrás deles estavam Silvano Silva e sua irmã.
Defesa das empresas e do piloto
Questionada pelo G1 sobre o vídeo e o acidente, a companhia Voenext, que intermediou o contrato do voo, informou, através do seu advogado, Lucas de Assis Loesch, que “não cabe à VoeNext se manifestar sobre questões técnicas ou eventuais falhas cometidas pelo piloto da aeronave. Todas as informações necessárias foram prestadas às autoridades competentes e estamos aguardando o parecer técnico das investigações”. O defensor informou ainda que a empresa fez, “desde o primeiro momento, contato com as famílias, colocando à disposição toda a assistência necessária”.
Já a empresa HCS, que era proprietária do helicóptero, informou através do escritório Moreira e Martarelli Advogados que não iria se manifestar neste momento sobre o caso, pois “tudo está correndo sob segredo de Justiça e estamos ajudando em tudo o que for possível”.
A noiva do piloto, Ivani Queirós, afirmou que “as investigações seguem em ambas as partes” e que aguarda o resultado final das apurações para se posicionar. Já amigos e colegas do piloto Peterson Pinheiro, que inclusive trabalhava como instrutor de voo, afirmaram que ele sempre atuou de forma responsável.
O mecânico de aeronaves Wener Biazoli era amigo havia mais de três anos do piloto Peterson Pinheiro, que tinha 33 anos e era nascido em Suzano, no interior de São Paulo. Biazoli disse ao G1 não acreditar na hipótese de falha humana.
“Eu nunca vi ele cometer nenhum ato brusco como piloto. Todas as vezes que voei com ele em voos de manutenção, sempre achei um piloto prudente e me senti seguro. Ele sempre fez voos padrão. Era um bom profissional, você não vai encontrar nenhum relatório de perigo de alguma ação dele. Como profissional ele era muito bom, reunia todas as qualificações necessárias como piloto”, salientou.
“As condições meteorológicas na hora da decolagem deles eram boas, mas podem ter mudado muito rapidamente durante o percurso. Para mim, aconteceu algo quando ele se preparava para pousar, que é quando a maioria dos acidentes ocorrem. Mas tem que esperar o que a investigação do Cenipa vai dizer. Só eles, com todos os documentos e avaliações, podem apontar o que ocorreu. Não adianta as pessoas agora quererem ficar dando opiniões injustas. Tem que ter cautela”, defendeu Biazoli.
Pressão
O investigador da reserva da Aeronáutica salienta que a investigação do Cenipa, que tem como objetivo prevenir novas tragédias, deve estar buscando o motivo pelo qual o piloto prosseguiu o voo mesmo sabendo que não estava em condições visuais de prosseguir. Um dos fatores que pode estar envolvido é a pressão para cumprir a missão.
“Agora é fácil falar que ele errou e não deveria fazer isso. Mas ele sabia que estava levando uma noiva cujo sonho era chegar ao casamento, com o irmão da noiva a bordo, que ele poderia estragar a festa. Às vezes, até instintivamente, o piloto força até a barra por acreditar na missão. Ele acreditou que podia prosseguir e que logo conseguiria pousar”, disse Lupoli.
“Na verdade ele errou, ele não quis ocasionar o acidente. Ele errou porque, acredito, que ele devia estar sob pressão. Porque ele deveria ter abortado o voo ou realizado um pouso de precaução ou retornado para onde decolou. Ele é um profissional que foi contratado para terminar o voo e a tendência que ele tem para terminar o voo bem e cumprir o que ele tinha comprometido é muito grande”, salienta o investigador da reserva.

Datafolha: Lula lidera intenções de voto para as Eleições 2018

Réu em cinco ações na Justiça Federal no âmbito das operações Lava Jato e Zelotes, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o preferido em intenções de voto em todos as simulações de primeiro turno em que participa para a Presidência da República nas Eleições 2018, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (26).Clique e confira Bolsonaro Presidente.

Lula tem entre 29% e 30% da preferência conforme os candidatos que enfrentaria. Porém, ao mesmo tempo, o petista é rejeitado por quase metade da população.

Na primeira simulação, Lula (PT) aparece com 30%, contra 16% do candidato de ultradireita Jair Bolsonaro (PSC) e 15% de Marina Silva (Rede). Geraldo Alckmin (PSDB) é o quarto colocado, com 8%, e Ciro Gomes (PDT) é o quinto, com 5%. Luciana Genro (PSOL) teve 2% de intenções de voto, assim como Eduardo Jorge (PV) e Ronaldo Caiado (DEM). Os indecisos são 2%, enquanto os que disseram que votariam branco ou nulo somam 18%.

Na segunda hipótese, Lula teria 30% dos votos se as eleições presidenciais fossem hoje, contra 15% de Marina, 15% de Bolsonaro e 10% do prefeito de São Paulo, João Doria. Ciro Gomes (PDT) aparece na quinta colocação, com 6% da preferência. Luciana Genro, Eduardo Jorge e Ronaldo Caiado teriam 2% das intenções de voto cada um. Brancos e nulos totalizaram 16%, enquanto os indecisos são 2%.

Na terceira situação, com a presença do ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa, Lula tem 30% da preferência, seguido por Marina silva e Jair Bolsonaro, com 15% das intenções de voto cada um. Joaquim Barbosa (sem partido) tem 11% da preferência e Geraldo Alckmin (PSDB) soma 8%. Luciana Genro, Eduardo Jorge e Ronaldo Caiado também somam 2% da preferência cada um nesta simulação. Brancos e nulos são 14%, e os indecisos, 2%.

No quarto cenário, o ex-presidente soma 29% da preferência, contra 15% de Marina Silva e 13% de Bolsonaro. Joaquim Barbosa tem 10%, seguido por João Doria, com 9%. Luciana Genro e Eduardo Jorge totalizam 2% cada, e Ronaldo Caiado conquistou 1% da preferência. Brancos e nulos são 15%, e os indecisos somam 2% do total.

No quinto cenário com Lula e o juiz federal Sérgio Moro (sem partido), o ex-presidente tem 29% da preferência, seguido de perto pelo próprio Moro e Marina Silva, com 14% do total cada um, e Jair Bolsonaro, que tem 13% nesta simulação. Geraldo Alckmin (PSDB) tem 6%. Empatados com 2% cada, aparecem Luciana Genro e Eduardo Jorge. Ronaldo Caiado soma 1%. Brancos e nulos totalizam 15%, enquanto os indecisos são 2%.

Sem Lula

Se Lula não participar das Eleições 2018, a disputa fica mais acirrada. Marina Silva tem 22% da preferência, Bolsonaro soma 16% e Joaquim Barbosa totaliza 12%. Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB) conquistam 9% cada um nesta simulação. Luciana Genro (PSOL) tem 3%, equanto Eduardo Jorge e Ronaldo Caiado têm 2% cada um. Brancos e nulos somam 23%, enquanto 3% não sabem em quem votariam.

Em um cenário com o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), Marina Silva lidera com 22%, Bolsonaro Presidente conta com 16%, Joaquim Barbosa soma 13% e Geraldo Alckmin conquista 10%. Luciana Genro tem 4% da preferência, Haddad conta com 3% e Eduardo Jorge e Ronaldo Caiado têm 2% cada um. Brancos e nulos são 25% do total, enquanto os indecisos totalizam 3%.

Rejeição

Conhecido por 99% da população brasileira, o ex-presidente é rejeitado por 46% dos entrevistados — o que equivale a quase metade da população brasileira. o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), é o segundo mais rejeitado, com 34%. A terceira posição neste ranking pertence ao deputado federal Jair Bolsonaro, com 30%.

Haddad é rejeitado por 28%, enquanto Ciro Gomes não teria o voto, com certeza, de 26% dos eleitores. Marina Silva conta com 25% e rejeição, Luciana Genro, 24%, e Caiado tem 23%. Os entrevistados que se recusam a votar em Moro são 22%, enquanto esse índice vai a 21% para Eduardo Jorge e 20% para João Doria. A menor rejeição é do ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa, que conta com 16%.

Os eleitores que disseram que votariam em qualquer um ou não rejeita nenhum dos nomes acima são 3%, mesmo percentual dos que rejeitam todos esses nomes ou não votariam em nenhum deles.

O Datafolha ouviu 2.771 pessoas em 194 cidades do País entre os dias 21 e 23 de junho de 2017. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

Rio tem chuva moderada após temporal mais forte em 20 anos

O Pio de Janeiro registrou na noite de ontem (20) o temporal mais forte dos últimos 20 anos para o mês de junho. Na manhã desta quarta-feira (21), a cidade mantém o estágio de atenção e ainda registra pontos de alagamento. Chuvas moderadas também são registradas.

O tempo no Rio permanece instável e, por volta das 10h, a chuva se concentrava principalmente na zona oeste da cidade, na altura do Recreio dos Bandeirantes. Também na zona oeste, um bolsão d’água interditou parcialmente a avenida Engenheiro Sousa Filho, em Rio das Pedras, uma das maiores favelas da cidade. Uma sirene de alerta contra deslizamentos foi acionada na comunidade na manhã de hoje e o mesmo ocorreu na Rocinha.

Na zona sul, a avenida Borges de Medeiros também registra bolsão d’água, na altura do Parque dos Patins. Em Copacabana, na rua Tonelero, e no centro da cidade, nos arredores da Central do Brasil, árvores caídas no chão atrapalham o trânsito de veículos. A Estrada da Pedra Bonita, na Gávea, chegou a ser fechada nos dois sentidos pelo mesmo motivo na manhã de hoje.

Ontem, a chuva levou ao acionamento de 14 sirenes em áreas de risco de desabamentos, em sete comunidades localizadas em todas as regiões da cidade. Moradores foram orientados a seguir para pontos de apoio e puderam retornar para suas casas às 2h da madrugada de hoje.

Na zona sul, um desabamento durante a madrugada interditou parcialmente a rua Cosme Velho, que deve ter o trânsito liberado até o final da manhã. Retroescavadeiras e caminhões trabalham no local.

O prefeito Marcelo Crivella visitou o local e considerou a chuva “um desafio inesperado” por sua intensidade. “A cidade resistiu. Agora estamos na fase de a cidade se acalmar. A previsão é que de tarde não tenha mais chuva.”

‘O Lula é o primeiro e único plano, não temos outro nome’

Qual será o plano do PT caso o ex-presidente Lula seja julgado e condenado na operação Lava Jato, tendo em vista que o nome do ex-presidente é o primeiro a ser cogitado para as eleições do ano que vem?

O Lula é o primeiro e único plano. Não temos outro nome no PT. E não acreditamos que ele será preso, ou que não poderá ser candidato. Ele é o nome que pode unificar o país. O Lula ultrapassa 50% de aceitação do eleitorado, e não há provas concretas contra ele. Pede-se para mostrar provas, e não se tem. Nesse caso, acredito que o juiz Sergio Moro e os promotores e procuradores da Lava a Jato não conseguem provar nada contra ele, então fica uma perseguição política.

Há uma grande expectativa que a sentença do juiz Sergio Moro seja proferida amanhã…

O PT, assim como os movimentos sociais, vê com muita preocupação o que o juiz Sergio Moro faz em relação ao Lula. Impressionante como o Moro, durante todo esse período, não conseguiu achar nada contra os tucanos, mas, com a delação da JBS, podemos ver que os tucanos estavam todos envolvidos em propinas e ilegalidades durante a campanha, com provas, contas no exterior. Então, o Moro tem um lado. Infelizmente, ele usa disso para fazer política como juiz. Fala-se muito sobre o tal triplex, que não é dele; fala-se no Instituto Cidadania, que não foi construído; fala-se do sítio em Atibaia que ele frequentava, mas que também não é dono.

O senhor é contra ou a favor da operação Lava Jato?

Sou a favor da Lava Jato e de toda operação que combata a corrupção. Mas, sou contra o juiz Sergio Moro politizar esse debate e perseguir o ex-presidente Lula.

O PT nega todas as acusações contra o partido, contra seus membros, contra o ex-presidente Lula. Ninguém errou?

Claro que errou! A política brasileira precisa ser alterada. A política brasileira acontece de forma equivocada, quem manda é o poder econômico. São as altas contribuições de empresas que todos os partidos utilizaram. Esse é o erro da política que precisa ser corrigido com uma reforma política. O Parlamento tem, em sua maioria dos deputados e senadores, um carimbo das empresas que financiaram a campanha. A reforma eleitoral e institucional do Brasil: este é o erro do partido. O PT não mais se colocou para fazer essa mudanças com radicalidade necessária. Eu defendo um PT mais radical, de volta às origens.

O que uma possível condenação do ex-presidente Lula pode definir sobre o futuro do PT? Ele, como pilar e única opção do partido, não demonstra uma fragilidade, caso seja condenado?

O Lula é nosso líder principal, ele é capaz unificar o Brasil, então não podemos nos abster de apresentar ao povo brasileiro o nome dele. Não existem provas contra ele, e caso o juiz Sergio Moro insista em a persegui-lo, nós vamos à ONU, vamos estabelecer contatos internacionais para denunciar o que acreditamos ser um segundo golpe. Primeiro foi tirar a Dilma. Por que tiraram a Dilma? Pelas pedaladas? Isso não foi argumento real para tirar a presidente. O que houve foi uma junção de interesses do Aécio Neves, que havia perdido as eleições, com o vice-presidente Temer e com o Eduardo Cunha, que está preso e foi o comandante da corrupção no Congresso nacional. Eles formaram a maioria no Congresso Nacional e deram o golpe no Brasil. Esse golpe levou à uma crise política e aprofundou a crise econômica de tal forma que hoje eles não têm saída. O Temer está para ser preso, o Aécio está para ser preso, e eles querem jogar a culpa para o Lula e para a Dilma. Se o Aécio fosse paciente para esperar e fosse democrático, talvez a crise não fosse desse tamanho.

Como o senhor mesmo disse, o PT tem uma parcela de culpa ao agir de maneira diferente da sua origem. Então, por que não levar a público esse reconhecimento de culpa?

A autocrítica é importante, eu concordo. O PT teve erros, jogou o jogo e não quis mudar a regra. Essa regra não é boa para o sistema eleitoral e para democracia brasileira, porque ela faz com que tenhamos um parlamento não representativo dos interesses do povo.

Por que não mudaram enquanto estavam no poder?

O Lula chegou a mandar a reforma política, mas o PT, a meu ver, não fez com que isso fosse essencial. Nós perdemos a chance.

Com relação ao governo de Minas: você é aliado ao governador Fernando Pimentel. Como é defendê-lo tendo em vistas as acusações contra ele?

Essa é uma questão do ponto de vista jurídico, ele tem sua defesa, e nós achamos que ele tem que responder no Poder Judiciário, e é o que ele tem feito. Nosso grande problema do Estado é o problema econômico. Esse é um problema, e nós estamos tentando fazer com que o Estado não entre numa crise econômica na proporção do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul e temos tido sucesso nisso. Quando o Pimentel assumiu o governo, tivemos uma dívida orçamentária de R$ 10 bilhões. Então começamos a governar sem dinheiro, e o Estado não produz dinheiro. Tivemos que ser criativos para pagar os servidores em dia, manter o funcionamento de educação, saúde, segurança. Hoje temos uma dívida de aproximadamente R$ 5 bilhões. O Estado enxugou a máquina, fez o dever de casa, agora estamos buscando ampliar a arrecadação para que possa chegar já este ano, mas principalmente no ano que vem, respirando e tendo uma capacidade de investimento que não tivemos até hoje. Estamos propondo, para o governo federal fazer um acerto de contas, com a chamada Lei Kandir, fazer um acerto daquilo que nós devemos à União e o que a União deve ao Estado. Se fizermos esse acerto, e ele é possível, porque o próprio Supremo Tribunal Federal julgou que até novembro a União terá que repor aos Estados o que ela não repôs pela não cobrança do ICMS das empresas exportadoras, nos teremos condição de retomar o crescimento.

Em 2014, durante a campanha, Pimentel fez uma série de promessas para melhorias da região metropolitana e, ao assumir o governo, se deparou com a crise econômica. Não faltou pés no chão ao prometer tudo isso e não comprometer uma possível reeleição?

O Pimentel fez um modelo de campanha que não era esse da crise tão aguda que temos agora. A possibilidade de vitória da Dilma era real, tanto que ela ganhou e nós teríamos uma parceria com o governo federal para que obras deste porte pudessem ser desenvolvidas de forma conjunta. Tivemos o golpe no Brasil, a presidente foi destituída, e a crise política e econômica se aprofundou.

Mas antes da presidente Dilma sair já estávamos sem perspectiva dessas obras….

A obra na BR–381 estava em pleno andamento ainda com a presidente Dilma, e o governo federal suspendeu tudo. Acabou com o PAC. Então, houve uma violenta mudança do quadro, que levou o governo do Estado a colocar os pés no chão e, sem capacidade de investimento, fazer com que o Estado funcionasse.

E o parcelamento dos salários dos funcionários?

Creio que ano que vem conseguiremos resolver isso com as medidas que estão sendo tomadas. Uma delas que eu quero insistir é o acerto de contas, isso é uma possibilidade real. A União deve à Minas Gerais R$ 135 bilhões. Se nós fizermos um acordo com a União, de, pelo menos, não repassar R$ 300 milhões por mês, nós zeramos o déficit em Minas. O segundo ponto importante é não permitir a venda das usinas da Cemig. O governo de Michel Temer quer colocar em leilão quatro usinas da Cemig, o que significaria a privatização de metade da empresa energética, e isso levaria a um estrangulamento da nossa maior empresa.

Motorista admite que provocou acidente ao jogar carro em mureta no Rodoanel

O motorista do carro que se envolveu em uma colisão com mais dois caminhões, na manhã desta segunda-feira (12), admitiu ter provocado propositalmente o acidente. Ele jogou o carro em uma mureta, no sentido Perus, e uma carreta que vinha atrás colidiu e empurrou o veículo para o sentido oposto causando outra batida em um caminhão de cimento, que pegou fogo.
Segundo o Corpo de Bombeiros, ele tentou o suicídio.
A batida ocorreu, por volta das 5h10, na altura do km 15, no limite entre as cidades de Osasco e Carapicuíba. Os três motoristas ficaram feridos e foram encaminhados para atendimento médico. A polícia foi para o hospital ouvir o motorista do carro e fazer esclarecimentos sobre a colisão.
Segundo informações da reportagem do Bom Dia São Paulo, os motoristas dos caminhões tiveram fraturas nas pernas.
Por volta das 8h15, duas faixas ainda estavam interditadas e causando lentidão. O caminhão tanque já foi sido retirado e funcionários da concessionária limpavam o local.
Às 8h20, o sentido Régis Bittencourt, registrava lentidão de 14 km, do km 6 ao km 20. Já no sentido Perus, congestionamento do km 29 ao km 20.

Neve na Serra catarinense atende expectativas de turistas

A expectativa era grande. Turistas de diferentes partes do Brasil e de Santa Catarina confiaram na previsão do tempo dos últimos dias e viajaram por horas e até dias a Serra catarinense atrás de neve. Como prêmio para quem peregrinou em busca do fenômeno, ele apareceu no começo da tarde desta sexta-feira em pelo menos três cidades da região.

Em Urupema foram quase duas horas de neve intensa no Morro da Antena ou Morro das Torres, como é conhecida a área mais alta da cidade, a 1.750 metros do nível do mar. No Centro, na Praça Manoel Pinto de Arruda, os flocos também apareceram, mas em menor quantidade. Nevou também em Urubici e São Joaquim.

Para quem ficou dois dias na estrada para chegar até a Serra, a satisfação era grande diante da mata branca e dos acumulados nos carros e postes. O catarinense Luiz Henrique Peruzzo mora há 17 anos em Lins (SP) e nunca tinha visto tanta quantidade do fenômeno. Ele saiu quarta-feira do interior paulista ao lado da esposa Ana Paula para ver a neve em Urupema.

— Valeu a pena ficar viajando desta quarta-feira. A gente viu a previsão e decidiu vir. Já tinha visto neve, mas não nessa quantidade — comemorou Luiz Henrique.

A neve também correspondeu o esforço dos brusquenses Claudemir Dreia, a esposa Cristina dos Santos e os dois filhos, Rafael Costa e Géssica Santos. Eles saíram de casa às 16h de quinta-feira e chegaram à 1h no Morro das Torres, ponto mais alta da cidade serrana. Dormiram dentro de dois carros à espera dos primeiros flocos. Demorou, mas eles apareceram.

— Deu certo ter ficado durante a madrugada, dormido no carro e esperado pela neve — empolgou-se Rafael Costa.

Para esquentar, eles levaram vinho, café e pinhão. Com a neve caindo cada vez mais intensa, os seis tiraram fotos e comemoraram o momento. O mesmo fizeram outras dezenas de turistas que subiram até o morro. Os irmãos Heloísa Cardoso Lima e Juan Cardoso Lima, de Palhoça, aproveitaram a novidade para fazerem bolinhas de neve sob o olhar feliz dos pais.

A neve começou às 12h20min em Urupema e seguir até 15h. A temperatura chegou a -1 ºC no morro das Torres durante o fenômeno. Depois aumentou até atingir 1ºC. No Centro da cidade, às 17h, os termômetros marcavam 4ºC. O secretário de Turismo do município, Ronei Pagani, celebrou a neve. Segundo ele, dessa vez a previsão foi mais em cima da hora, o que não possibilitou a prefeitura montar uma estrutura maior para receber os turistas.

— A neve ajuda a atrair mais pessoas para a nossa cidade. Não temos uma estrutura muito grande, mas conseguimos receber um bom número de pessoas. De quinta para sexta-feira, quando havia a previsão inicial de neve, os hotéis da cidade estavam 55% lotados. Para este final de semana, a lotação deve ficar perto da máxima por conta dos Dia dos Namorados, comemorado na segunda-feira.

Neve em São Joaquim:

Histórico

A última vez que o Estado registrou o fenômeno foi no dia 21 de agosto, em Urubici, São Joaquim, Urupema e outros pontos isolados da Serra. Ocorrências pontuais de neve tinham sido registradas no local, principalmente entre 11h e 14h, intercalando com momentos sem o fenômeno.