Bolsonaro é favorito para vencer se disputar o segundo turno

Essa não é uma eleição sobre vender esperança, como foi 2002. Essa será a eleição da indignação, numa espécie de efeito retardado de 2013. A avaliação é de Mauricio Moura, CEO da Ideia Big Data, uma consultoria com experiência em campanhas nos EUA e no Brasil.




É por isso que ele diz que candidatos com perfil “indignado”, como o esquerdista Ciro Gomes e o deputado de extrema direita Jair Bolsonaro, são potencialmente competitivos numa disputa na qual Luiz Inácio Lula da Silva está virtualmente fora e Luciano Huck diz que jogou a toalha. “Com a saída de Huck, quem ganha é quem disputa o campo popular: o PT, Ciro, Marina e até mesmo Bolsonaro”.

Moura fechou recentemente parceria para trabalhar com Guillaume Liegey, que foi um dos marqueteiros de Emmanuel Macron na eleição francesa, e os dois participaram no começo do mês de uma maratona de conversas com pré-candidatos ou seus enviados, inclusive presidenciais, num trabalho de prospecção. O brasileiro, no entanto, afirma que o objetivo principal de sua empresa é trabalhar nas campanhas regionais. “No plano nacional, nossa prioridade é ainda trabalhar com o mercado financeiro como cliente”, diz o também professor de estatística na Universidade George Washington, nos Estados Unidos.

Bolsonaro presidente 2018

Você diz que, se há uma eleição em que outsiders e partidos pequenos têm chance nas majoritárias, é essa. Isso é muito contraintuitivo no Brasil onde a TV e a estrutura partidária costumam ser cruciais. No que você se baseia para dizer isso?




Em 2013, nas grandes manifestações, gerou-se uma expectativa de que houvesse mudanças radicais nas eleições, mas 2014 acabou sendo um ano, em termos de majoritárias, de muita continuidade. Acredito que o Flávio Dino (PCdoB), no Maranhão, foi a única ruptura que a gente teve. Ele conseguiu quebrar um ciclo de poder de mais de 50 anos.

Em 2014 a gente não via essa demanda por mudança tão forte como estou vendo agora. Eu não via essa indignação que estou vendo agora. Mais do que mudança, essa é uma eleição de indignação e estamos no ápice do “novo” no Brasil. Por isso, minha hipótese é que as eleições majoritárias vão dar margens a muitas surpresas. Digo surpresas com candidatos fora dos partidos tradicionais: PSDB, PT e PMDB. São partidos que sofreram muito com a Operação Lava Jato, que conseguiu colocar no imaginário do eleitor que esses partidos são iguais. Eu tenho um dado, de uma pesquisa que a gente fez no final do ano passado, de que 75% das pessoas não gostaria de votar em nenhum candidato do PSDB, PT e PMDB na eleição presidencial. Mas você fala: mas o Lula está na frente. Sim, mas o Lula está acima do PT, é um caso particular.

Mais sobre data das eleições 2018.

Bolsonaro: Será difícil ficar no país se PT ou PSDB vencerem

Deputado Bolsonaro atribui crise econômica à violência, diz que será candidato para cumprir missão de Deus e afirma que ideologia é tão ou mais grave do que corrupção

“Não faço isso por obsessão. Entendo que o que acontece comigo é uma missão de Deus e ponto final.” É assim que o deputado federal Jair Messias Bolsonaro (PSC-RJ), de 62 anos, justifica o interesse em ser pré-candidato à Presidência da República. O militar da reserva ganhou popularidade em um cenário de insatisfação popular com a política e alcançou a segunda colocação na pesquisa Datafolha de junho, com 16% das intenções de voto – o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com 30%.

Bolsonaro rompeu com a direção do PSC e deixará o partido até março do ano que vem, quando abrirá a próxima “janela partidária” – um projeto de reforma política pretende antecipar o prazo. Em busca de uma sigla para abrigar sua candidatura às eleições de 2018, Bolsonaro já conversou com o Muda Brasil, projeto capitaneado pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), condenado no mensalão, e com o PHS. Hoje ele negocia com o PSDC, de José Maria Eymael, citado nas delações da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato.

Simpatizante da ditadura militar e crítico de direitos humanos e programas sociais, Bolsonaro é chamado de aventureiro político por seus opositores. “Esses caras querem me desqualificar. Já cansaram de me chamar de fascista, racista, homofóbico e xenófobo.” O deputado, que atribui a crise econômica à violência urbana, se vê como um “ponto de inflexão” na política. Caso perca a eleição para um candidato do PT, PSDB ou PMDB – “todo mundo é de esquerda” –, diz que cogitará deixar o Brasil. “A questão ideológica é tão ou mais grave que a corrupção.”

Por que o senhor quer disputar a Presidência?

Há alguns anos vinha observando o destino do Brasil, o que temos e o que não somos. Vinha observando o perfil dos candidatos, como eram feitas as negociações e como o povo é esquecido nesse trabalho político que rola em Brasília. Tem muita coisa errada. Nós temos tudo para ser uma grande nação. Faltam homens que tenham o comprometimento com o país, e não com grupos políticos. A partir desse principio, comecei a me preparar para ter chances de disputar alguma convenção partidária.

Quais devem ser as prioridades da campanha?

Hoje em dia não dá para falar em quase nada se você não diminuir a temperatura da questão da violência. O pessoal fala muito em economia, mas o que é a economia perto da violência? O país não tem economia. Eu raramente vou sair à noite para comer uma pizza com a minha família na Barra da Tijuca. Muitas pessoas compram relógio e tênis nas feiras do Paraguai porque serão assaltadas se adquirirem algo razoável. Você não tem economia se não começar no básico, no bê-á-bá. A prioridade de qualquer candidato – e pode ser até a prioridade do Temer agora – é baixar a temperatura da questão da violência.

Não é simplista tratar a crise econômica dessa forma?

Eu estou te dando o bê-á-bá, o que será o alicerce do meu programa. Acho muito simplista, sim, falar que inflação se resolve só com taxa Selic. A dívida chegou a esse monumento por causa dessa política simplista. Aí eu te pergunto: quantos especialistas em economia existem no país? Olha o [Henrique] Meirelles [ministro da Fazenda]. O Meirelles participou do Banco Central do Lula, e estamos nesse caos. Eu que sou o simplista aqui? Olhe onde a elite econômica jogou essa grande nação. Você quer que eu fale outras coisas sobre economia? Quero a desburocratização, quero fazer o possível para diminuir a carga tributária, mas sem falar em um grande acordo. Já assisti mais de uma discussão demoradíssima sobre reforma tributária, em que todo mundo concorda desde que não perca nada. Se for para entrar em campanha para fazer a mesma coisa que esses caras sempre fizeram na economia, eu estou fora.

Bolsonaro volta a crescer e se aproxima de Lula em disputa pela presidência

O pré-candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSC) cresceu sete pontos percentuais em um mês e já aparece em empate técnico com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), informa pesquisa de intenção de voto do DataPoder360. Lula tem a preferência de 26% dos eleitores. A pesquisa, estimulada, foi realizada entre 9 e 10 de julho, com 2.178 entrevistados em 203 municípios. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Quando o pré-candidato do PSDB é o governador paulista Geraldo Alckmin, Bolsonaro é o único a apresentar crescimento fora da margem de erro em comparação com junho.

Favorito, Lula tem queda quando simulado um cenário com o prefeito João Doria como candidato tucano. A pesquisa foi realizada antes da condenação de Lula pelo juiz Sergio Moro, na semana passada.

Alckmin tem até agora o seu melhor desempenho desde abril. O tucano surge com 10%, uma evolução de seis pontos percentuais em relação a dois meses atrás. Quem também cresce – seis pontos – nas projeções é Marina Silva, do Rede, no cenário com Doria candidato. Ela atinge 12% e empata na margem de erro com o prefeito paulistano (13%).

Doria se manteve no mesmo patamar desde a primeira pesquisa feita pelo instituto, em abril. Hoje, tem 13%. O nome do prefeito é mais forte no Sudeste (20%) e Sul (21%), mesmas regiões onde Bolsonaro presidente domina, com até 53% de preferência. No Nordeste, Doria tem só 2%. Eleitores indecisos, que votariam branco ou nulo somam 34%.

Parlamentares pedirão que PGR investigue liberação de emendas para base aliada de Temer

Os deputados Alessandro Molon (Rede-RJ) e Aliel Machado (Rede-PR) e o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) deverão entregar à PGR (Procuradoria-Geral da República), na tarde desta segunda-feira, 17, uma representação contra o presidente Michel Temer.

Conforme levantamento do jornal O Estado de S. Paulo publicado neste domingo (16), dos 40 deputados que votaram pela rejeição do parecer que recomendava a abertura de investigação contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, 39 tiveram R$ 266 milhões em emendas parlamentares empenhadas, de acordo com valores atualizados.jair bolsonaro Esse valor corresponde ao período entre junho, após a divulgação da delação do empresário Joesley Batista, que foi usada na denúncia contra Temer, e as duas primeiras semanas deste mês, às vésperas da votação.

Os congressistas da Rede pedirão que a PGR investigue a liberação de emendas para deputados da base governista dentro da votação do parecer sobre a denúncia contra Temer analisada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados.

O documento foi elaborado com base em um levantamento feito pela assessoria de Alessandro Molon sobre as emendas liberadas.

“Queremos impedir que Temer continue usando dinheiro público para obstruir a Justiça e permanecer impune com a ajuda do Congresso. Além disso, queremos impedir que serviços essenciais sejam prejudicados por causa dessas manobras ilegais e irresponsáveis do governo”, afirmou o deputado.

As trocas feitas pelo governo na CCJ da Câmara, antes da votação da denúncia, também ajudaram a elevar o valor desembolsado.bolsonaro 2018 Os 14 deputados que se tornaram titulares do colegiado da Casa com ajuda do Palácio do Planalto receberam mais de R$ 106 milhões em recursos. No entanto, dois deles contrariaram o governo e votaram pela admissibilidade da denúncia: Renata Abreu (Podemos-SP) e Laércio Oliveira (SD-SE).

Fogo amigo

Durante a defesa de seu voto como relator do parecer sobre a denúncia, feito na última quinta-feira (13), Sergio Zveiter (PMDB-RJ) já havia acusado o presidente Temer de usar as verbas de emendas parlamentares em busca de apoio na comissão.

— O senhor Michel temer, contra quem pesam seríssimos indícios, acha que pode, usando bilhões de reais de dinheiro público, submeter a Câmara dos Deputados a seu bel sabor para proibir a sociedade de saber o que realmente aconteceu.

Advogado, Zveiter argumentou que os “bilhões de reais” repassados a parlamentares configurariam ainda crime de obstrução de justiça.

Naquela ocasião, o relatório de Zveiter foi rejeitado por 40 votos a 25 votos, levando à seleção de um novo relator, Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) com um parecer contrário à denúncia feita pela PGR contra o presidente por corrupção. Este novo relatório foi aprovado na CCJ por 41 votos a 25.

O parecer da CCJ agora segue para votação no plenário da Câmara, onde é necessária a aprovação de 2/3 dos 513 deputados federais para autorizar o STF (Supremo Tribunal Federal) a investigar o presidente Michel Temer pela denúncia, apresentada por Eduardo Janot, procurador-geral da República, por corrupção passiva.

Líderes do PSDB adiam decisão sobre desembarque do governo Temer

A reunião de 15 integrantes da cúpula do PSDB na noite desta segunda-feira (10) no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo, na Zona Sul da cidade, durou pouco mais de 4 horas, terminando no início da madrugada desta terça (11). As lideranças discutiram a manutenção ou não de apoio ao governo de Michel Temer (PMDB) e também a direção do partido na questão da denúncia por corrupção passiva contra o presidente.
O encontro não tem poder de resolução. Por isso, os caciques tucanos adiaram a definição sobre o desembarque do governo. Nova reuniões devem ser marcadas para esta terça ou para quarta-feira (12).
Desembarque do governo
O presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), admitiu, ao deixar o local, que o partido está desembarcando do governo Temer. “O que eu tenho dito não é consenso, mas o que eu estou observando é que o partido por si mesmo está desembarcando independentemente do meu controle e da minha vontade”, afirmou, ao deixar o Palácio dos Bandeirantes.
Ele antecipou também que o partido deverá fazer uma renovação total de seus quadros em agosto, durante convenção para a eleição da Executiva.
A reunião acontece após o presidente ter sido denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pelo crime de corrupção passiva, e o deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ), relator da denúncia contra Temer na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) na Câmara, dar parecer favorável ao prosseguimento do caso.
O Palácio dos Bandeirantes é a residência oficial do governador de São Paulo e o encontro teria sido articulado por Geraldo Alckmin. A assessoria do PSDB estadual disse que o evento não é institucional.
Tasso afirmou que o partido não definiu uma posição quanto à denúncia contra Temer na CCJ.
Tendência de acolhimento de denúncia
O líder da bancada na Câmara, deputado Ricardo Tripoli (SP), disse que, na CCJ, o partido deverá votar pela admissibilidade da denúncia, com 5 votos a favor e 2 contrários. “Por maioria, deve votar pela admissibilidade. A bancada deve votar por 5 a 2 pelo acolhimento da denúncia do procurador”, disse.
Participaram também da reunião de caciques tucanos, entre outros, os governadores Marconi Perillo (GO), Reinaldo Azambuja (MS), Pedro Taques (MT) e Geraldo Alckmin (SP); os senadores Aécio Neves (MG), José Serra (SP), Paulo Bauer (SC) e Cássio Cunha Lima (PB); o ex-senador José Aníbal (SP); o prefeito de São Paulo, João Doria, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Desembarcar do governo Temer significaria entregar os cargos em quatro ministérios comandados por tucanos: Aloysio Nunes, ministro de Relações Exteriores; Bruno Araújo, ministro de Cidades; Antonio Imbassahy, ministro da Secretaria de Governo; e Luislinda Valois, ministra dos Direitos Humanos.
Alckmin
Durante inauguração de delegacia em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, nesta segunda, Alckmin comentou o encontro. “A reunião não é para decidir se deixa ou não o governo. Isso só quem pode fazer é a Executiva do partido. É uma reunião de conversa, conversa entre a direção partidária, governadores, líderes. Não será tomada nenhuma decisão. É apenas uma avaliação”, disse.

Antes do encerramento do G20, Temer volta ao Brasil e diz estar ‘tranquilíssimo’

O presidente da República, Michel Temer, afirmou neste sábado (8) que volta ao Brasil “tranquilíssimo” depois de participar de reunião da cúpula do G20, grupo que reúne as 20 principais economias do mundo, em Hamburgo, na Alemanha.
Temer decidiu voltar ao Brasil antes do encerramento oficial do evento. Ele embarcou para Brasília na manhã deste sábado.
A declaração do peemedebista acontece em meio ao pior momento de Temer na Presidência da República. Na próxima segunda-feira (10), o deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ), deve apresentar à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara seu relatório sobre denúncia contra o presidente.
O parlamentar do Rio de Janeiro é considerado pelo Palácio do Planalto como integrante da ala independente do PMDB.
Na semana passada, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou o presidente ao Supremo Tribunal Federal (STF). Janot acusa o presidente de ter praticado corrupção passiva com base nas delações dos donos e executivos da holding J&F, controladora do grupo JBS.
Caberá ao plenário da Câmara decidir se a peça do Ministério Público seguirá ou não para o Supremo (para isso, precisa do apoio mínimo de 342 parlamentares).
Se chegar ao STF e os ministros da Corte aceitarem a denúncia, Temer, então, vai virar réu e será afastado do mandato por até 180 dias. Nessa hipótese, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), assume interinamente por ser o primeiro na linha sucessória.
Entenda: A tramitação da denúncia contra Temer
Mesmo com a crise política, questionado por jornalistas sobre se voltava ao Brasil tranquilo, Temer respondeu que estava “tranquilíssimo”. Ele afirmou ainda que vai “continuar trabalhando” para fazer com que “todos fiquem em paz”.
“Continuar trabalhando pelo país, fazendo a economia crescer, como está crescendo, sem nenhum problema. E fazendo com que todos fiquem em paz”, declarou o presidente.
A previsão é de que Temer desembarque em Brasília por volta das 18h15 deste sábado. Na capital federal, o peemedebista terá de retomar os esforços para barrar o avanço da denúncia na Câmara.
Desembarque tucano
Nesta semana, cresceu o movimento dentro do PSDB, um dos principais partidos da base de Temer, de desembarque do governo. O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) disse que a legenda paga um preço “altíssimo” ao manter apoio ao governo “mais impopular da história”.
Segundo o tucano, seis dos sete deputados do PSDB na CCJ vão votar pela admissibilidade da denúncia contra Temer. Para Cunha Lima, o partido deve ficar “ao lado” de seus parlamentares e deixar os “cargos confortáveis” que possui no governo.
Em conversa com investidores na última quinta-feira (6), o parlamentar paraibano chegou a dizer que dentro de 15 dias o país teria um novo presidente. Depois, ele afirmou que foi uma “força de expressão”.
Já o presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), declarou que Temer estava perdendo a capacidade de governar o país. Tasso também disse que Rodrigo Maia teria condições de reunir os partidos em uma eventual transição até 2018.
Segundo o Blog do Camarotti, a cúpula tucana vai se reunir na próxima segunda (10) para debater sobre a saída da legenda do governo.
Foto e gafe
Mais cedo neste sábado, Temer publicou em seu perfil no Twitter uma foto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no encontro do G20. Segundo Temer, o norte-americano “elogiou o desempenho da economia brasileira”.
Nesta sexta-feira (7), Temer cometeu uma gafe em um vídeo divulgado também no Twitter. Na filmagem, o presidente da República afirma que o governo tem feito “voltar o desemprego”.
“Eu pude fazer um relato do que estamos fazendo no Brasil, gerando, exatamente, inflação baixa, reduzindo os juros, fazendo voltar o desemprego e combatendo a recessão”, diz o presidente no vídeo em que resume o que fez durante a sexta-feira na Alemanha.

Governo retalia ‘aliado’ após derrota no Senado no projeto da reforma trabalhista

Brasília e São Paulo, 22 – O Planalto reagiu nessa quarta-feira, 21, à derrota na votação da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado ao exonerar dois indicados do senador Hélio José (PMDB-DF) de órgãos ligados ao Executivo.

O peemedebista foi um dos três senadores da base que ajudaram a derrubar, anteontem, relatório do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) a favor da reforma. Além disso, o governo está fazendo mapeamento de outros cargos ligados ao senador – mais um deve ser exonerado hoje. Os outros dois parlamentares que votaram contra foram o tucano Eduardo Amorim (SE) e Otto Alencar (PSD-BA).

A retaliação foi interpretada por alguns senadores como uma forma de o governo tentar conter uma possível debandada de aliados em um momento em que o presidente Michel Temer atravessa grave crise política. Embora governistas tenham minimizado a derrota na comissão, o resultado da votação mostrou que há divisões na base aliada. Um dos pontos de preocupação está na relação com o líder do PMDB na Casa, Renan Calheiros (AL), que tem adotado discurso contrário às reformas e influenciado as dissidências. A “traição” de Hélio José, por exemplo, é atribuída a Renan.

Renan

O senador do DF havia dito a governistas que não participaria da sessão até o dia anterior, alegando sentir dores na coluna. No dia da votação, porém, apareceu “escoltado” por Renan. O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), queria que Hélio José fosse substituído pelo seu suplente, Garibaldi Alves (PMDB-RN), favorável à reforma.

Renan evitou falar da sua participação na derrota governista e cobrou mais diálogo do Planalto com a base. “O resultado significa que o Parlamento está dividido. Seria a hora de o governo chamar todo mundo para discutir mudanças na medida provisória que trata da reforma.”

Ontem, porém, o próprio Hélio José admitiu a influência do líder da bancada. “O Renan tem uma posição que é claro que influencia”, disse.

Após perder os cargos na Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) e na Superintendência do Distrito Federal da Secretaria de Patrimônio da União (SPU-DF), Hélio José cobrou a renúncia de Temer. “Nós não podemos permitir que o governo transforme votações em balcão de negócios. Esse governo está podre. Esse governo corrupto tinha de ter vergonha na cara e renunciar”, disse.

A estratégia de retaliar aliados já havia sido adotada com o senador Eduardo Braga (PMDB-AM), no fim de maio, após ele adotar discurso contrário à reforma. O Planalto exonerou à época sua indicada para a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Tucanos

Outra relação conflituosa tem sido mantida com o PSDB, que tem cinco ministérios. Mesmo com a decisão da Executiva tucana de permanecer na base, a aliança voltou a ficar estremecida após o ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) culpar o partido pela derrota na comissão. O Planalto ainda não decidiu o que fará com o PSDB, mas a ordem por enquanto é tentar minimizar o desgaste.

O atrito provocado pela derrota na CAS reforçou os argumentos de tucanos insatisfeitos. “Quando o governo ganha dizem que Temer mostra força, quando perde colocam a culpa no PSDB. Até quando o PSDB vai aceitar ser a Geni de Temer?”, disse o deputado Daniel Coelho (PE), um dos “cabeças pretas” da Câmara, ala que defende que a sigla entregue seus cargos na gestão peemedebista.

Insatisfação

Mesmo entre os caciques tucanos o sentimento era de insatisfação. A avaliação de alguns parlamentares é de que foi o presidente que errou ao levar o líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC), e o ministro Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) para acompanhá-lo na Rússia. “O governo levou todo mundo para Moscou e esqueceu da votação”, disse o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), presidente interino da sigla.

A declaração de Moreira incomodou até mesmo Jucá, demonstrando falta de alinhamento entre os principais articuladores políticos de Temer.

Outra leitura sobre o episódio é que, diante da crise no governo, os parlamentares do Nordeste estão desconfortáveis em votar a favor da reforma. Isto porque Temer tem os piores índices de aprovação na região.

Soninha Francine assume namoro com ex-morador de rua

Demitida em abril da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da Prefeitura de São Paulo, em um vídeo constrangedor apresentado por João Dória Jr., a vereadora Soninha Francine fez críticas ao tucano e falou de sua vida pessoal — pela primeira vez, contou que namora um ex-morador de rua, Paulo Sergio Rodrigues Martins, que conheceu há quatro anos durante uma ação social com amigos em São Paulo — em entrevista ao Estadão. “Ele tava ‘bem Johnson’”, disse ela, se referindo ao fato de Martins ser alcoólatra quando se conheceram. Ele está sóbrio há alguns meses. Apesar de “imundo”, em “estado lamentável”, com “a barba toda emaranhada”, ela se apaixonou no primeiro dia.

“Gostei dele no dia que o conheci, e ele foi bem antipático comigo, foi bem refratário ao contato”, disse. “Eu participava de um trabalho social com população de rua, meu e de dois amigos, e o método e o objetivo era fazer amizade. Então a gente saía pela rua puxando assunto, puxando conversa, fazendo amizade. Não tínhamos essa meta original de tirar as pessoas da rua, das drogas, de reaproximá-las da família. Isso podia surgir, mas era primordialmente uma relação de amizade. O amigo tá ali pra falar, ouvir, fazer companhia. E aí algumas amizades nasciam fácil, no primeiro contato a gente já ficava bem próximo, tinha uma empatia fácil. Mas quando eu conheci o Paulo, ele não queria conversa, nada, nem um pouco. Me olhou feio, feio! Tava péssimo! Cara, e aí eu pensei: ‘Vou derreter essa carapaça’.”

Os dois hoje moram juntos. “Hesitei muito. Era um cara super impulsivo, de emoções extremadas. Na rua a gente já tinha desentendimentos. Mas a gente tinha que namorar em algum lugar. E criei coragem”, contou a vereadora. Paranaense, Martins morou 20 anos nas ruas de diversas cidades. Sobre as brigas, ela disse que melhoraram, porque ele parou de beber. “Teve um tempo em ele que ficava de castigo, dormia no carro. É difícil brigar com alguém que não tem endereço. Mas agora dá pra dizer que a gente está junto, porque agora ele parou de beber. Foram muitos anos de pinga. Da hora que acordava até a hora que dormia.”

Quanto a Dória, o criticou por, como Donald Trump, ter excesso de confiança. “Aquela coisa do excesso de confiança tá pegando. Uma coisa bem personalista, assim ‘deixa comigo’, sabe?” Ela também voltou a criticar a ação da prefeitura na Cracolândia, foco de usuários de crack que se espalhou pelo centro de São Paulo. “Só depois da ação policial ter terminado, e de ter comemorado o fim da Cracolândia, é que a Prefeitura começou a tomar as providências com os usuários. E muito destrambelhadamente, aquela coisa de no dia seguinte ir lá e querer derrubar imóvel pra mostrar a reconquista do espaço, aquilo foi muito desastrado. Eu jamais teria concordado com aquilo. Eu ia ter espanado ali.”

Bombeiros combatem incêndio no alto de prédio em Londres

LONDRES – Ao menos 200 bombeiros combatiam na manhã desta quarta-feira um incêndio que destrói um prédio de apartamentos de 27 andares no subúrbio oeste de Londres, informaram os serviços de emergência, acrescentando que há diversos feridos.

— Várias pessoas foram atendidas por ferimentos diversos, incluindo duas pessoas intoxicadas pela fumaça — revelou a polícia sobre o incêndio na Grenfell Tower, no subúrbio de North Kensington.

Os moradores do prédio continuam sendo retirados. Várias testemunhas relataram que em meio ao incêndio viram pessoas no interior do edifício, especialmente nos andares superiores. Outras afirmaram ter ouvido gritos de dentro do prédio, que tinha 120 apartamentos.

Dezenas de vizinhos saíram às ruas, muitos apenas de pijama, para tentar fazer contato com conhecidos dentro do prédio em chamas.

— O incêndio vai do 2º ao 27º andares — revelou um oficial dos bombeiros, temendo pelo colapso total da construção.

Os bombeiros foram chamados por volta da 1h15m local (21h15m no horário de Brasília) para apagar o incêndio no prédio de apartamentos, construído em 1974. Por volta das 5h (1h da manhã em Brasília), as chamas ainda devoravam o edifício, e uma grossa coluna de fumaça podia ser vista no céu de Londres.

Segundo a London Fire Brigade, 40 caminhões e 200 bombeiros foram enviados para combater o incêndio no prédio na Lancaster West Estate.

— Bombeiros equipados com aparelhos de respiração trabalham em condições extremas, realmente muito difíceis, para combater as chamas — disse o comandante Dan Daly, da London Fire Brigade.

A polícia iniciou a evacuação de residências vizinhas ameaçadas pelo enorme incêndio.

O escritor e ator britânico Tim Downie, que mora na região, relatou cenas de “horror”. “O prédio foi tomado inteiro pelas chamas. É uma questão de tempo até que desabe”.

“Grande incidente na Grenfell Tower em Kensington. 40 caminhões e 200 bombeiros no local”, tuitou o prefeito de Londres, Sadiq Khan, na manhã desta quarta-feira.

Fim da Cracolândia: o que especialistas, governo e prefeitura apontam como solução para a feira de drogas em SP

Há três semanas, uma megaoperação policial dispersou dependentes químicos e traficantes da cracolândia, em São Paulo, um dos maiores espaços abertos de consumo de drogas do mundo.
Pouco tempo depois, usuários já se espalhavam por mais de 20 pontos da cidade – inclusive em uma praça a menos de 1 km da concentração original – enquanto a gestão do prefeito João Doria (PSDB) tenta articular o acolhimento dessas pessoas e pede autorização à Justiça para promover internações forçadas.
A ação policial ocorreu quando a rede municipal de acolhimento ainda não estava preparada, motivou críticas dentro da própria gestão e desencadeou a primeira crise do governo Doria.
Nos últimos 25 anos, apesar de diferentes ofertas de tratamento, emprego e acomodação por governos e ONGs, a região continua a atrair traficantes, moradores de rua, ex-condenados e pessoas incapazes de se integrar à sociedade.
Mas o que pode ser feito para impedir que dependentes tomem ruas e se aglomerem para comprar, negociar e usar crack? E qual seria a forma mais eficaz de tratar essas pessoas para que abandonem o vício, retomando a saúde e a perspectiva de uma vida normal?
A BBC Brasil consultou as gestões do prefeito João Doria e do governador Geraldo Alckmin (PSDB), além de especialistas e agentes que atuam na região sobre o que pode ser feito para acabar com a cracolândia e seus problemas sociais.
Segurança pública
Em geral, houve consenso sobre a importância do policiamento ostensivo para coibir a atuação de traficantes e evitar que as drogas cheguem aos usuários na cracolândia.
Para a professora livre-docente em Direito Internacional na USP Maristela Basso, por exemplo, uma atuação rígida da polícia inibirá a ação do tráfico e devolverá confiança à população sobre a efetividade de políticas para a região.
“Não sei o que será daqui para frente, mas o importante é que o primeiro passo foi dado (megaoperação). O que não pode é parar. Deve haver um sufocamento (dos traficantes). Prender quem tem que prender e tratar quem tiver que tratar”, diz.
Basso defende a iniciativa da gestão Doria e diz que seria “uma fraude” caso a ação anticrack do governo enfraquecesse com o tempo.
“Não adianta só espalhar os usuários. A sociedade não vai aceitar que eles migrem para outros bairros e nada seja solucionado. Mas é necessária uma aliança com a sociedade. Se as críticas forem tão severas sobre as ações, ele (prefeito) pensa: ‘Vamos encerrar isso'”, afirma Basso.
Maurício Fiore, pesquisador do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) e coordenador científico da Plataforma Brasileira de Política de Drogas, diz que é importante que o debate público sobre soluções “não misture o tratamento dos usuários com a região em si”.
“Quando você busca uma solução para o espaço nem sempre é a mesma para as pessoas”, afirma o cientista social, para quem os dependentes químicos “se cansaram das ações repressivas porque isso não resolveu”.
O advogado Ariel de Castro Alves, integrante do Conselho Estadual de Direitos Humanos, diz que houve violência excessiva na ação organizada pela prefeitura em parceria com o Estado, e opina que isso não pode se repetir.
“Colhemos (após a ação policial) depoimentos de 30 vítimas de violações de direitos humanos em uma semana, entre dependentes agredidos por policiais ou por guardas municipais, moradores despejados pela prefeitura e outros ameaçados de despejo”, afirma.
A Polícia Militar de São Paulo diz que ninguém se feriu na ação e que houve despejos por irregularidades nos imóveis, como risco de desabamento, falta de estrutura e de equipamentos de segurança obrigatórios.
A Secretaria da Segurança Pública afirma ainda manter o policiamento na cracolândia “com equipes das polícias Civil e Militar para, além de combater o tráfico no local, prestar apoio às equipes de saúde e assistência social”.
A pasta informa ainda que o departamento de narcóticos (Denarc) prendeu 162 traficantes na região desde 2015. Trinta deles, incluindo o suspeito de ser responsável por abastecer o tráfico na região, foram presos durante a megaoperação de 21 de maio.
A prefeitura diz que há nove carros da Guarda Civil Metropolitana na cracolândia, com 26 agentes. Cinco câmeras de vigilância foram instaladas na região e há quatro ônibus que gravam a movimentação no local e funcionam como central de monitoramento.
Saúde
Cuidar dos usuários de drogas, tirá-los das ruas e oferecer tratamento médico até que eles tenham condições de retomar suas vidas também é uma política unânime entre os entrevistados. Mas a internação compusória, aposta da gestão Doria, divide opiniões.
A gestão chegou a conseguir uma decisão judicial em primeira instância que autorizava a remoção à força de usuários da região para avaliação médica, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo derrubou a decisão.
De acordo com o governo Alckmin, de 2013 até o final de 2016, o programa Recomeço fez 53.214 triagens e acolhimentos e internou 11.507 pacientes, sendo 8.904 voluntários, 2.580 involuntários e apenas 23 à força. A prefeitura afirma que a internação compulsória é usada apenas em último caso.
Para Ronaldo Laranjeira, psiquiatra e coordenador do Recomeço (programa do governo estadual para tratamento dos dependentes químicos), a internação compulsória deve ser usada apenas em casos extremos.
“Você acha humano ver uma pessoa com dependência química grave aliada a doenças graves, como Aids e sífilis, e não fazer nada? Não agir num caso desse é omissão de socorro”, diz.
Em relação à ação judicial da prefeitura que pede autorização para internar usuários à força, ele diz apenas que a lei deve ser seguida.
“Há uma resolução do Conselho Regional de Medicina que prevê internação compulsória individual após autorização da família, médico e Ministério Público. É o que fazemos há cinco anos”, diz.
Para Fiore, do Cebrap e Plataforma Brasileira de Política de Drogas, a internação forçada “nunca pode ser usada como uma política pública”. Ele acrescenta que o recurso é importante em muitos casos, mas não pode ser eixo central de política.
“A internação compulsória tem o pior resultado entre os tratamentos, além de envolver violações de direitos”, defende.
O advogado Ariel de Castro Alves vai na mesma linha.
“Essas internações (compulsórias) só podem ser feitas com base em laudos médicos e decisões judiciais individuais, antecedidas por manifestações do Ministério Público e da Defensoria Pública. O trabalho social e de saúde é de conquista de vínculos e confiança. Não é de repressão, abuso e autoritarismo”, afirma.
A professora de direito Maristela Basso vê a internação compulsória como parte da função do Estado de proteger o direito das pessoas.
Ela considera a solicitação de autorização da prefeitura como “proteção para evitar medidas do Ministério Público, que estava tentando impedir a prefeitura de cumprir seu dever”.
Assistência social
Segundo a Prefeitura de São Paulo, desde a megaoperação policial de maio equipes de assistência social fizeram 12.687 abordagens na região da cracolândia, com 7.049 encaminhamentos para acolhimento em equipamentos públicos e 5.638 recusas de atendimento.
Para Basso, da USP, a ação policial que espalhou os usuários facilita o trabalho de abordagem de assistentes sociais, que poderiam buscar contato com dependentes em grupos menores.
No entanto, psicólogos e agentes sociais que atuam na cracolândia – e pediram para ter suas identidades preservadas – afirmam que o debate sobre internações compulsórias acabou aumentando a desconfiança dos usuários.
“As pessoas passam a nos ver como inimigos. Eles começam a desconfiar de que possam ser levados a qualquer momento numa camisa de força, e isso destrói nosso trabalho porque os deixa numa situação eterna de tensão. Mesmo aqueles que já estavam prestes a aceitar o tratamento acabam se afastando”, diz uma agente ouvida em condição de anonimato.
Para quem atua no local, a polícia deveria apenas investigar o tráfico, sem causar grande estresse aos usuários.
O coordenador do Recomeço, Ronaldo Laranjeira, explica que foram instalados diversos serviços para atender os usuários na rua Helvétia – um dos pontos de grande concentração de usuários antes da operação policial.
“Lá, eles podem tomar banho, ter acesso a médicos e até academia. Não falta de serviços. O problema está no engajamento para convencer o usuário a participar”, diz Laranjeira.
Para ele, dar o primeiro passo e iniciar o tratamento é a tarefa mais difícil da desintoxicação.
“É muito complicado falar para um viciado deixar aquele ambiente onde estão seus amigos e encontra crack barato e em abundância para se internar. Ninguém quer isso”, diz.
Laranjeira fala ainda que é essencial ter uma “linha de saída de qualidade, com cursos profissionalizantes e oferta de emprego para que as pessoas retomar sua vida e todo esse esforço não tenha sido em vão”.
São 25 conselheiros que atuam como agentes e conversam diretamente com os usuários. Caso aceitem ser internados, os pacientes ficam de 15 a 30 dias internados para desintoxicação.
Após esse período, ele é reavaliado pelos médicos, que definem se será necessária uma nova internação ou apenas atendimento ambulatorial no Centro de Atenção Psicossocial (Caps).
Segundo os agentes, eles passaram a ser vistos com desconfiança pelos usuários após a operação policial. Alguns, inclusive, foram roubados nos últimos dias.
Os profissionais que trabalham na cracolândia ouvidos pela BBC Brasil em condição de anonimato disseram que a prefeitura “destruiu um trabalho de anos”.
“Vamos ter que começar tudo de novo”, diz uma mulher que trabalha no Recomeço.
O Caps instalado na cracolândia tem dois psiquiatras de plantão 24 horas.
Habitação e emprego
Mas nada vale um trabalho social de abordagem, convencimento e tratamento se o ciclo da reinserção social não fechar.
É consenso entre os especialistas ouvidos que o sucesso na luta contra o crack só é possível se a pessoa passar a preencher seu tempo livre com trabalho e afeto de amigos e familiares, além de ter um lugar garantido para voltar e dormir.
Sobre oferta de trabalho, o governo Doria acabou com o programa De Braços Abertos, da gestão anterior de Fernando Haddas (PT), que oferecia moradia em hotéis da cracolândia e R$ 15 por dia a dependentes que trabalhassem em atividades como varrição e jardinagem.
Para Maurício Fiore, a iniciativa anticrack da gestão petista “seguia numa direção correta” que deveria ter sido mantida.
“Aquela política não conseguiu resolver, mas pesquisas apontaram que eles estavam reduzindo o consumo e melhorando de vida. É um trabalho longo, difícil e que envolve esse estar permanente com agentes de saúde. Mais do que cobrar e exigir deles, o importante é oferecer um conjunto de direitos”, diz.
A prefeitura destaca que negocia parcerias com empresários para dar emprego a todos os usuários que passarem pelo tratamento de desintoxicação.
Recentemente, Doria anunciou a oferta, por uma rede de fast food, de cem vagas de emprego para moradores de rua em geral – são cerca de 20 mil na capital paulista.
Sobre oferta de habitação, o governo estadual afirma estudar a construção de cerca de 3,7 mil moradias na região da cracolândia nos próximos anos. A previsão é que 91 apartamentos sejam concluídos até o fim deste ano e outras 1,2 mil antes até o fim de 2018.
Segundo o governo, 80% das unidades serão disponibilizadas para financiamento de baixo custo a pessoas que moram fora do centro, mas trabalham na região. Outros 500 apartamentos estão reservados para movimentos sociais de moradia.
Para o secretário municipal de Habitação da gestão Haddad e professor de urbanismo na USP, João Whitaker, o atual projeto habitacional da cracolândia não irá beneficiar os dependentes químicos que circulam pela região.
“O ideal é oferecer apartamentos para quem aderir ao tratamento. Com moradia oferecida pela prefeitura, ela se reinsere no mercado de trabalho”, diz.
“Essas moradias que serão construídas não serão para a população da região porque serão da faixa de até dez salários mínimos estaduais. Isso não vai beneficiar os pobres. É para classe média baixa e média. Dizer que é para pobres é enganação”, conclui.