Bolsonaro é favorito para vencer se disputar o segundo turno

Essa não é uma eleição sobre vender esperança, como foi 2002. Essa será a eleição da indignação, numa espécie de efeito retardado de 2013. A avaliação é de Mauricio Moura, CEO da Ideia Big Data, uma consultoria com experiência em campanhas nos EUA e no Brasil.




É por isso que ele diz que candidatos com perfil “indignado”, como o esquerdista Ciro Gomes e o deputado de extrema direita Jair Bolsonaro, são potencialmente competitivos numa disputa na qual Luiz Inácio Lula da Silva está virtualmente fora e Luciano Huck diz que jogou a toalha. “Com a saída de Huck, quem ganha é quem disputa o campo popular: o PT, Ciro, Marina e até mesmo Bolsonaro”.

Moura fechou recentemente parceria para trabalhar com Guillaume Liegey, que foi um dos marqueteiros de Emmanuel Macron na eleição francesa, e os dois participaram no começo do mês de uma maratona de conversas com pré-candidatos ou seus enviados, inclusive presidenciais, num trabalho de prospecção. O brasileiro, no entanto, afirma que o objetivo principal de sua empresa é trabalhar nas campanhas regionais. “No plano nacional, nossa prioridade é ainda trabalhar com o mercado financeiro como cliente”, diz o também professor de estatística na Universidade George Washington, nos Estados Unidos.

Bolsonaro presidente 2018

Você diz que, se há uma eleição em que outsiders e partidos pequenos têm chance nas majoritárias, é essa. Isso é muito contraintuitivo no Brasil onde a TV e a estrutura partidária costumam ser cruciais. No que você se baseia para dizer isso?




Em 2013, nas grandes manifestações, gerou-se uma expectativa de que houvesse mudanças radicais nas eleições, mas 2014 acabou sendo um ano, em termos de majoritárias, de muita continuidade. Acredito que o Flávio Dino (PCdoB), no Maranhão, foi a única ruptura que a gente teve. Ele conseguiu quebrar um ciclo de poder de mais de 50 anos.

Em 2014 a gente não via essa demanda por mudança tão forte como estou vendo agora. Eu não via essa indignação que estou vendo agora. Mais do que mudança, essa é uma eleição de indignação e estamos no ápice do “novo” no Brasil. Por isso, minha hipótese é que as eleições majoritárias vão dar margens a muitas surpresas. Digo surpresas com candidatos fora dos partidos tradicionais: PSDB, PT e PMDB. São partidos que sofreram muito com a Operação Lava Jato, que conseguiu colocar no imaginário do eleitor que esses partidos são iguais. Eu tenho um dado, de uma pesquisa que a gente fez no final do ano passado, de que 75% das pessoas não gostaria de votar em nenhum candidato do PSDB, PT e PMDB na eleição presidencial. Mas você fala: mas o Lula está na frente. Sim, mas o Lula está acima do PT, é um caso particular.

Mais sobre data das eleições 2018.

Bolsonaro escolhe partido pelo qual vai se candidatar à Presidência em 2018

Acabou o mistério. O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) irá se filiar ao Partido Ecológico Nacional, o PEN, que é registrado com o número 51. Mas, com sua filiação, o partido vai mudar de nome e deverá se chamar Prona (Partido da Reedificação da Ordem Nacional), cujo ex-líder Enéas é admirado pelo deputado, ou Patriotas. A mudança de nome é uma formalidade e basta uma convenção do partido para a troca se efetivar. Por essa nova legenda Bolsonaro disputará a presidência da República em eleições 2018.




O deputado autorizou seus auxiliares a confirmarem a troca, já discute o novo nome e até já posou numa foto ao lado do presidente do PEN, Adilson Barroso, fazendo com as mãos o número 51. “Nós vamos casar logo após o caso Temer”, disse Bolsonaro a amigos, se referindo à votação da denúncia contra o peemedebista na Câmara, que ocorre nesta semana.

Leia também: Bolsonaro vai disputar o senado

Bolsonaro conversou na manhã deste domingo (30) com o advogado Paulo Fernando Melo, que atua na Justiça Eleitoral e será o responsável pelos protocolos burocráticos da mudança do nome da legenda. Melo confirmou à Gazeta do Povo a filiação de Bolsonaro ao PEN e também que o partido mudará de nome.

O presidente nacional do PEN, Adilson Barroso, afirmou que está “99,9%” fechado. “O noivado vai de vento em popa e só falta assinar o contrato de casamento, que acontecerá em alguns dias, com sua assinatura da ficha de filiação. Faremos uma grande festa”, disse à Gazeta.

A tendência é que o partido passe a se chamar Prona, dada a ligação de Bolsonaro com as ideias de Enéas, que morreu em maio de 2007, após contrair uma leucemia. Enéas foi três vezes candidato a presidente da República, sempre com poucos segundos de tempo de TV. Ficou conhecido por seu bordão “Meu nome é Enéas” e por suas propostas nacionalistas. Na disputa para o Planalto em 1994, Enéas obteve 4,6 milhões de votos, ficando em terceiro lugar. Em 2006, o Prona se fundiu ao Partido Liberal (PL) e ambos passaram a se chamar PR, que existe até hoje.




Leia também: Bolsonaro diz que, como militar, sua especialidade á matar

“Não vejo como o nome do nosso novo partido não ser Prona. É um partido que já foi aceito pela população e que já obteve quase cinco milhões de votos com o Enéas”, disse Barroso, que explicou o “ecológico” de seu atual partido. “Tem ecológico no nome, mas não é um radical da ecologia”.

Além de Patriotas o outro nome pensado foi o de “Pátria amada, Brasil”, mas foi descartado por Bolsonaro.

Barroso disse que a filiação de Bolsonaro vai permitir a coligação com partidos médios para a disputa da Presidência da República e a legenda irá atrair também muitos vereadores e deputados estaduais e federais. “Até um senador já me ligou”, disse.

Paulo Fernando Melo afirmou que a mudança do nome é simples. “É legal e não há segredo. Assim como o PFL virou DEM e, agora mais recente, o PTN virou Podemos, o PEN vai também mudar de nome”.

Governo Temer é aprovado por 5% e reprovado por 70%, diz Ibope

Pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira (27) mostra os seguintes percentuais de avaliação do governo do presidente da República, Michel Temer (PMDB):
Ótimo/bom: 5%
Regular: 21%
Ruim/péssimo: 70%
Não sabe/não respondeu: 3%
Segundo o Ibope, a aprovação de 5% é o menor índice desde o início da série histórica do instituto, que teve início em março de 1986. Antes do resultado de Temer, o pior havia sido o do ex-presidente José Sarney, que em junho/julho de 1989 teve 7% de ótimo/bom.

O instituto de pesquisa ressaltou que, por conta da margem de erro da pesquisa de dois pontos percentuais para mais e para menos, tecnicamente Temer e Sarney estariam empatados.
O levantamento do Ibope, encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), foi realizado entre os dias 13 e 16 de julho e ouviu 2 mil pessoas em 125 municípios.
O nível de confiança da pesquisa divulgada nesta quarta, segundo a CNI, é de 95%, o que quer dizer que, se levarmos em conta a margem de erro de dois pontos, a probabilidade de o resultado retratar a realidade é de 95%.

Esta é a segunda pesquisa Ibope encomendada pela CNI divulgada neste ano. No último levantamento, de março, Temer aparecia com aprovação de 10% dos entrevistados, enquanto 55% consideravam o governo “ruim/péssimo” e 31%, “regular” – à época, 4% não souberam opinar ou não responderam.

Desde que Temer se tornou presidente efetivo, após o impeachment de Dilma Rousseff ser aprovado pelo Congresso Nacional, esta é a quarta pesquisa Ibope encomendada pela CNI (as anteriores foram divulgadas em março deste ano, em dezembro e em outubro de 2016; houve uma em julho do ano passado, mas Temer ainda era presidente em exercício).

Fique por dentre de pesquisa eleitoral Bolsonaro 2018!

Bolsonaro diz que ‘anda namorando’ o PSDC de Eymael

O deputado Jair Bolsonaro (RJ) afirmou nesta terça-feira, 18, que está de saída do PSC e que “anda namorando” outra legenda, o PSDC, presidida por José Maria Eymael (SP). Com a divulgação da mais recente pesquisas do DataPoder360, em que Bolsonaro aparece em empate técnico com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( Lula 26%; Bolsonaro 21%), a procura por outra legenda intensificou-se. “Com a Lava Jato e tudo mais, não adianta eu entrar para um partido grande e enrolado em denúncias. Estou a procura de um partido que não tenha esse tipo de problema”, disse Bolsonaro. Eymael obteve 61.233 votos como candidato ao Palácio do Planalto pelo PSDC, em 2014.

Bolsonaro presidente chegou a conversar com o Muda Brasil, partido que ainda depende de decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas teme que a legenda não consiga se concolidar antes do prazo legal (um ano antes da eleição). “Com as redes sociais, uma campanha não precisa, necessariamente, ter muito tempo de TV. Acredito também que com 22% das intenções de votos estaria garantido no segundo turno”, afirmou.

Sobre o PSDC, Bolsonaro declarou que “sempre” teve adminração por Eymael. “Acompanho desde o tempo da Constituinte (1988)”, disse. Bolsonaro calcula que essa decisão deva sair até o final de agosto. “Procuro um partido honesto, patriota e cristão”, completou.

Bolsonaro volta a crescer e se aproxima de Lula em disputa pela presidência

O pré-candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSC) cresceu sete pontos percentuais em um mês e já aparece em empate técnico com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), informa pesquisa de intenção de voto do DataPoder360. Lula tem a preferência de 26% dos eleitores. A pesquisa, estimulada, foi realizada entre 9 e 10 de julho, com 2.178 entrevistados em 203 municípios. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Quando o pré-candidato do PSDB é o governador paulista Geraldo Alckmin, Bolsonaro é o único a apresentar crescimento fora da margem de erro em comparação com junho.

Favorito, Lula tem queda quando simulado um cenário com o prefeito João Doria como candidato tucano. A pesquisa foi realizada antes da condenação de Lula pelo juiz Sergio Moro, na semana passada.

Alckmin tem até agora o seu melhor desempenho desde abril. O tucano surge com 10%, uma evolução de seis pontos percentuais em relação a dois meses atrás. Quem também cresce – seis pontos – nas projeções é Marina Silva, do Rede, no cenário com Doria candidato. Ela atinge 12% e empata na margem de erro com o prefeito paulistano (13%).

Doria se manteve no mesmo patamar desde a primeira pesquisa feita pelo instituto, em abril. Hoje, tem 13%. O nome do prefeito é mais forte no Sudeste (20%) e Sul (21%), mesmas regiões onde Bolsonaro presidente domina, com até 53% de preferência. No Nordeste, Doria tem só 2%. Eleitores indecisos, que votariam branco ou nulo somam 34%.

Criança de 6 anos morre após ser baleada durante briga de trânsito em Campo Grande, Rio

Uma criança de apenas 6 anos morreu, por volta das 17h deste domingo (9), depois de ter sido baleada no fim da noite de sábado (8) em uma briga de trânsito. As informações foram confirmadas pela Polícia Militar. Bryan Eduardo Mercês deu entrada em estado gravíssimo no hospital Rocha Faria, em Campo Grande, na madrugada de sábado. Ele foi operado e seria transferido para o Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Albert Schweitzer, mas não resistiu.

A irmã de Brian, que tem apenas 3 anos, também foi baleada e está internada no Hospital Rocha Faria. O 40º BPM (Campo Grande) confirma que as duas crianças foram baleadas durante uma briga de trânsito, no final da noite de sábado.
Um parente das crianças, que não quis se identificar, contou que o pai delas parou em um sinal de trânsito, por volta de 0h30 de domingo. O motorista que veio atrás não gostou da atitude e passou a atirar contra o veículo onde estavam as crianças. Ele relata que não houve discussão entre eles.
“Foi tudo muito rápido. O cara de trás se irritou por parar no sinal e passou atirando. Não deu nem para falar que tinha criança no carro”, conta.

Novo Fies mostra preocupação com saúde financeira do governo, diz associação de faculdades particulares

O anúncio do governo federal sobre as regras do Novo Fies, feito na manhã desta quinta-feira (6), levantou dúvidas por parte da Associação Brasileira de Mantenedores de Ensino Superior (Abmes). Em entrevista ao G1, Sólon Caldas, presidente da entidade, afirmou que ainda precisa analisar os detalhes que ainda não foram divulgados ao público.
Mas, segundo ele, “do jeito que foi” apresentado, o Novo Fies aparenta ser “uma análise puramente financeira”. Para Caldas, o governo federal parece “mais preocupado [com o Fies] ser financeiramente sustentável para o governo do que preocupado com o governo dar acesso à educação.”

Na manhã desta quinta, o ministro da Educação, Mendonça Filho, afirmou que, a partir de 2018, o Fies será dividido em três modalidades diferentes: a primeira, com 100 mil vagas asseguradas, será destinada a estudantes com renda familiar per capita de até três salários mínimos e terá taxa de juros zero. Na modalidade Fies 2, voltado a estudantes com renda familiar de até cinco salários mínimos das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a taxa de juros será de até 3% ao ano, mais a correção monetária, e serão oferecidas 150 mil vagas. Já a modalidade Fies 3, com até 60 mil vagas, será aberta a estudantes de qualquer parte do Brasil com renda familiar per capita de até cinco salários mínimos. Porém, o governo ainda não definiu a taxa de juros. Segundo o ministro, porém, ela “será maior que 3%, mas menor que as taxas bancárias privadas”.
Para Sólon, a divulgação do MEC ainda não deixa indefinidas as taxas exatas de juros tanto do Fies 2 quanto do Fies 3.
Além disso, ele afirma que, ao anunciar que a fonte de recursos dessas duas modalidades não será mais o governo federal, o MEC, na prática, reduz consideravelmente o número de vagas garantidas para o Fies em 2018. “Numa análise rápida, a forma como foi anunciada não atende a necessidade da sociedade, porque o governo diminuiu muito as vagas, a responsabilidade dele é 100 mil vagas”, afirmou Caldas.
O presidente da Abmes disse ainda que o MEC só apresentou um dos critérios para estudantes tentarem um desses 100 mil contratos: o de renda. “Atualmente tem vagas prioritárias. Será que nesses 100 mil vai acabar esse critério?”, questionou ele.
Acesso ao Fies fica mais rígido
Caldas ressaltou, ainda, que terceirizar a fonte de recursos dessas duas modalidades do Fies não poderá provocar um aumento na taxa de vagas ociosas do programa.
“Sempre sobra 20% das vagas, fica vaga sobrando e o aluno precisando da vaga, mas ele não atende os critérios. Hoje em dia já temos instituições financeiras privadas que oferecem crédito estudantil, mas não atendem a necessidade da sociedade, porque o critério de acesso é muito rigoroso, e as pessoas que normalmente precisam do financiamento não atendem os critérios”, explicou.
Ele ressaltou que o próprio ministro afirmou na coletiva que, no Fies 3, o risco de crédito também será dos bancos, tradicionalmente mais criteriosos na hora de conceder financiamentos.
“Se o critério ficar mais rigoroso, então nós pioramos o que tinha. Não dá pra fazer análise aprofundada porque não temos regulamentação ainda. Numa análise rápida, a forma como foi anunciada [a nova regra do Fies] não atende a necessidade da sociedade.”

MPF diz que decisão da Polícia Federal de alterar grupo de trabalho da Lava Jato é ‘evidente retrocesso’

Os procuradores do Ministério Público Federal que atuam na Operação Lava Jato criticaram a decisão da Polícia Federal de alterar a forma de trabalho dos delegados que atuam na força-tarefa que investiga os desvios de recursos da Petrobras. Em decisão divulgada nesta quinta-feira (6), a PF decidiu deslocar os investigadores exclusivos para a Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas (Delecor).
Com a medida, os investigadores que atuavam na Lava Jato e também na Operação Carne Fraca, passarão a assumir também inquéritos de outras investigações em andamento pela PF no Paraná, relacionados a crimes econômicos.
“A anunciada integração, na Polícia Federal, do Grupo de Trabalho da Lava Jato à Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas, após a redução do número de delegados a menos de metade, prejudica as investigações da Lava Jato e dificulta que prossigam com a eficiência com que se desenvolveram até recentemente”, diz.
Para o MPF, a medida gera redução no número de policiais ativos na Lava Jato. “O efetivo da Polícia Federal na Lava Jato, reduzido drasticamente no governo atual, não é adequado à demanda. Hoje, o número de inquéritos e investigações é restringido pela quantidade de investigadores disponível”, diz nota enviada pela Procuradoria da República no Paraná.
A procuradoria contrapõe a posição da PF afirmando que houve aumento no número de procuradores para atuarem na Lava Jato, ao passo em que a Superintendência da PF tee redução no número de delegados nos últimos meses.
“A necessidade evidente de serviço, decorrente inclusive do acordo feito com a Odebrecht, determinou que a equipe do Ministério Público Federal na Lava Jato em Curitiba tenha aumentado, o que ocorreu em paralelo ao aumento das equipes da Lava Jato no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, no mesmo período em que a Polícia Federal reduziu a equipe e dissolveu o Grupo de Trabalho da Lava Jato em Curitiba”, diz outro trecho da nota.
O que diz a Polícia Federal
Mais cedo, em entrevista coletiva, o delegado-chefe da Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas (Delecor), Igor Romário de Paula, disse que os policiais envolvidos diretamente nas investigações devem sentir pouca diferença no dia a dia de trabalho. Ele também afirmou que não houve nenhuma determinação específica por parte da direção da Polícia Federal, em Brasília.
Serão, segundo ele, 84 policiais, sendo 16 delegados. Do total de delegados, quatro atuam no Espírito Santo, sendo que dois deles já participaram da Lava Jato anteriormente. Segundo a Polícia Federal, a mudança prioriza a investigação e permite intercâmbio de informações.
O MPF reconhece o trabalho prestado pelo delegado Igor e pelo superintendente da PF no Paraná, Rosalvo Franco, mas discorda da avaliação deles. “Reconhece-se ainda a dedicação do superintendente da Polícia Federal no Paraná, Rosalvo Franco, e do Delegado de Polícia Federal Igor de Paula, às investigações. Contudo, a medida tornada pública hoje é um evidente retrocesso”, afirmam os procuradores.
Leia a íntegra da nota do MPF
Nota da Força Tarefa da Lava Jato
Dissolução do Grupo de Trabalho da Lava Jato na Polícia Federal prejudica as investigações
Os procuradores da república da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba vêm manifestar sua discordância em relação à dissolução do Grupo da Lava Jato no âmbito Polícia Federal.
1. A operação Lava Jato investiga corrupção bilionária praticada por centenas de pessoas, incluindo ocupantes atuais e pretéritos de altos postos do Governo Federal. Foram realizadas 844 buscas e apreensões em 41 fases que ensejaram a apreensão de um imenso volume de materiais – apenas na primeira fase, foram mais de 80 mil documentos. São rastreadas hoje mais de 21 milhões de transações que envolvem mais de R$ 1,3 trilhão. Já foram acusadas por crimes graves como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa mais de 280 pessoas, e centenas de outras permanecem sob investigação. Embora já tenham sido recuperados, de modo inédito, mais de R$ 10 bilhões, há um potencial de recuperação de muitos outros bilhões, se os esforços de investigação prosseguirem.
2. A anunciada integração, na Polícia Federal, do Grupo de Trabalho da Lava Jato à Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas, após a redução do número de delegados a menos de metade, prejudica as investigações da Lava Jato e dificulta que prossigam com a eficiência com que se desenvolveram até recentemente.
3. O efetivo da Polícia Federal na Lava Jato, reduzido drasticamente no governo atual, não é adequado à demanda. Hoje, o número de inquéritos e investigações é restringido pela quantidade de investigadores disponível. Há uma grande lista de materiais pendentes de análise e os delegados de polícia do caso não têm tido condições de desenvolver novas linhas de investigação por serem absorvidos por demandas ordinárias do trabalho acumulado.
4. A redução e dissolução do Grupo de Trabalho da Polícia Federal não contribui para priorizar ainda mais as investigações ou facilitar o intercâmbio de informações. Pelo contrário, a distribuição das investigações para um número maior de delegados e a ausência de exclusividade na Lava Jato prejudicam a especialização do conhecimento e da atividade, o desenvolvimento de uma visão do todo, a descoberta de interconexões entre as centenas de investigados e os resultados.
5. A necessidade evidente de serviço, decorrente inclusive do acordo feito com a Odebrecht, determinou que a equipe do Ministério Público Federal na Lava Jato em Curitiba tenha aumentado, o que ocorreu em paralelo ao aumento das equipes da Lava Jato no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, no mesmo período em que a Polícia Federal reduziu a equipe e dissolveu o Grupo de Trabalho da Lava Jato em Curitiba.
6. A Polícia Federal, assim como a Receita Federal, são parceiras indispensáveis nos trabalhos da Lava Jato. Reconhece-se ainda a dedicação do superintendente da Polícia Federal no Paraná, Rosalvo Franco, e do Delegado de Polícia Federal Igor de Paula, às investigações. Contudo, a medida tornada pública hoje é um evidente retrocesso. Por isso, o Ministério Público Federal espera que a decisão possa ser revista, com a consequente reversão da diminuição de quadros e da dissolução do Grupo de Trabalho da Polícia Federal na Lava Jato, a fim de que possam prosseguir regularmente e com eficiência as investigações contra centenas de pessoas e de que os bilhões desviados possam continuar a ser recuperados.

Joesley presta depoimento à PF para esclarecer contratos da JBS com o BNDES

Um dos delatores da Lava Jato, o empresário Joesley Batista, da holding J&F, presta depoimento na manhã desta quarta-feira (21), na superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília, para esclarecer supostas irregularidades nos contratos firmados entre o frigorífico JBS e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O caso é investigado pela Operação Bullish, da PF, que foi deflagrada em 12 de maio.
Os investigadores miram o aportes do BNDES, por meio do BNDESPar – braço de participações do banco de fomento –, no frigorífico da família Batista.

Segundo a PF, há indícios de “gestão temerária e fraudulenta” por parte do BNDES e corrupção de agentes públicos. Os aportes do banco público, realizados de 2007 a 2011, tinham como objetivo a aquisição de empresas do ramo de frigoríficos, no valor total de R$ 8,1 bilhões.
A suspeita é que o BNDES tenha favorecido a JBS, da qual a BNDESPar detém 21%. A investigação cita, por exemplo, a compra de ações da JBS supostamente por preço superior à média na Bolsa de Valores – num desperdício de R$ 30 milhões – e o curto prazo para análise de operações financeiras por parte do banco.
Joesley chegou à sede da PF no Distrito Federal por volta das 9h. Vinte minutos depois, teve início o depoimento. Até a última atualização desta reportagem, ele ainda estava sendo sabatinado pelos investigadores.
Na ocasião em que a PF deflagrou a Operação Bullish, Joesley era alvo de mandados de busca e apreensão e de condução coercitiva (quando o suspeito é obrigado a ir depor à polícia). No entanto, ele não chegou a ser ouvido no dia em que estourou a operação porque estava nos Estados Unidos.
À época, ele já havia fechado acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR) e havia prestado os depoimentos nos quais entregou as gravações que fez de conversas com o presidente Michel Temer, o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR).
As escutas do empresário geraram a maior crise política do governo Temer. Ex-assessor especial do Palácio do Planalto e suspeito de ser o operador do presidente da República, Rocha Loures foi preso em razão da suspeita de ter atuado em favor das empresas de Joesley em troca de propinas.
Já Aécio acabou afastado do mandato de senador por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) com base nas gravações nas quais pede R$ 2 milhões ao dono da JBS para, supostamente, pagar despesas com advogados.
O acordo de delação premiada de Joesley Batista foi homologado pelo ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, dias depois da deflagração da Operação Bullish.
Na delação premaida, o dono da JBS se comprometeu a colaborar com todas as investigações de que é alvo. Por isso, a expectativa é de que Joesley responda a todas as perguntas dos investigadores no depoimento desta quarta-feira.

Funaro detalha caixa 2 do PMDB e diz que Temer sabia de tudo

Na negociação com os procuradores da Lava Jato para virar delator, o operador Lúcio Funaro afirmou em depoimento prestado à Polícia Federal nesta semana ter administrado caixa 2 do PMDB e revelou que Michel Temer, que presidiu o partido entre 2001 e 2016, tinha conhecimento de detalhes do financiamento da legenda; ele revelou ainda como funcionavam nomeações do partido a cargos públicos, associadas a desvios de recursos; de acordo com o Palácio do Planalto, Temer “somente tinha conhecimento de doações legais ao partido”

247 – Em seu segundo depoimento à Polícia Federal, em Brasília, na última quarta-feira 14, o operador Lúcio Funaro revelou aos investigadores da Operação Lava Jato admitiu administrar caixa 2 para o PMDB e citou o nome e Michel Temer.

Segundo reportagem de Renata Mariz, do Globo, Funaro revelou que Temer, que presidiu o partido entre 2001 e 2016, tinha conhecimento de detalhes do financiamento da legenda.

Ele revelou também como funcionavam nomeações do partido a cargos públicos, associadas a desvios de recursos. De acordo com o Palácio do Planalto, que respondeu ao jornal, Temer “somente tinha conhecimento de doações legais ao partido”.

Segundo a Veja, Funaro disse também que Temer articulava esquemas de corrupção em favor do PMDB e que já se encontrou pessoalmente com o peemedebista, chegando a tratar com ele de questões referentes ao financiamento do partido.

Funaro respondeu a todas as perguntas do delegado, por mais de quatro horas. Ele contratou um advogado e está em negociação para firmar um acordo de delação premiada.

O operador negou, no depoimento, ter recebido dinheiro da JBS para se manter calado. Mas voltou a dizer que foi sondado mais de uma vez por Geddel Vieira Lima, ex-ministro e um dos principais aliados de Temer, sobre se faria delação.