Bolsonaro escolhe partido pelo qual vai se candidatar à Presidência em 2018

Acabou o mistério. O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) irá se filiar ao Partido Ecológico Nacional, o PEN, que é registrado com o número 51. Mas, com sua filiação, o partido vai mudar de nome e deverá se chamar Prona (Partido da Reedificação da Ordem Nacional), cujo ex-líder Enéas é admirado pelo deputado, ou Patriotas. A mudança de nome é uma formalidade e basta uma convenção do partido para a troca se efetivar. Por essa nova legenda Bolsonaro disputará a presidência da República em eleições 2018.




O deputado autorizou seus auxiliares a confirmarem a troca, já discute o novo nome e até já posou numa foto ao lado do presidente do PEN, Adilson Barroso, fazendo com as mãos o número 51. “Nós vamos casar logo após o caso Temer”, disse Bolsonaro a amigos, se referindo à votação da denúncia contra o peemedebista na Câmara, que ocorre nesta semana.

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Bolsonaro conversou na manhã deste domingo (30) com o advogado Paulo Fernando Melo, que atua na Justiça Eleitoral e será o responsável pelos protocolos burocráticos da mudança do nome da legenda. Melo confirmou à Gazeta do Povo a filiação de Bolsonaro ao PEN e também que o partido mudará de nome.

O presidente nacional do PEN, Adilson Barroso, afirmou que está “99,9%” fechado. “O noivado vai de vento em popa e só falta assinar o contrato de casamento, que acontecerá em alguns dias, com sua assinatura da ficha de filiação. Faremos uma grande festa”, disse à Gazeta.

A tendência é que o partido passe a se chamar Prona, dada a ligação de Bolsonaro com as ideias de Enéas, que morreu em maio de 2007, após contrair uma leucemia. Enéas foi três vezes candidato a presidente da República, sempre com poucos segundos de tempo de TV. Ficou conhecido por seu bordão “Meu nome é Enéas” e por suas propostas nacionalistas. Na disputa para o Planalto em 1994, Enéas obteve 4,6 milhões de votos, ficando em terceiro lugar. Em 2006, o Prona se fundiu ao Partido Liberal (PL) e ambos passaram a se chamar PR, que existe até hoje.




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“Não vejo como o nome do nosso novo partido não ser Prona. É um partido que já foi aceito pela população e que já obteve quase cinco milhões de votos com o Enéas”, disse Barroso, que explicou o “ecológico” de seu atual partido. “Tem ecológico no nome, mas não é um radical da ecologia”.

Além de Patriotas o outro nome pensado foi o de “Pátria amada, Brasil”, mas foi descartado por Bolsonaro.

Barroso disse que a filiação de Bolsonaro vai permitir a coligação com partidos médios para a disputa da Presidência da República e a legenda irá atrair também muitos vereadores e deputados estaduais e federais. “Até um senador já me ligou”, disse.

Paulo Fernando Melo afirmou que a mudança do nome é simples. “É legal e não há segredo. Assim como o PFL virou DEM e, agora mais recente, o PTN virou Podemos, o PEN vai também mudar de nome”.

Protestos em Hamburgo marcam véspera da cúpula do G20

Com o slogan Sejam Bem-vindos ao Inferno, milhares de pessoas marcharam hoje (6) contra a cúpula do G20, a realizar-se nesta sexta-feira (7) e sábado (8) na cidade portuária de Hamburgo, na Alemanha, que desde terça-feira (4) prepara um forte esquema de segurança. As informações são da Agência Télam.

Enquanto os líderes de vários países do G20 chegavam à cidade para a cúpula, a polícia alemã reprimia grupos de manifestantes que recepcionavam os mandatários com o lema Bem-vindos ao Inferno e Surra no G20.

De acordo com a emissora de televisão internacional CNN, o grupo de manifestantes tentou avançar para o centro da cidade, que estava fechado em um perímetro de segurança por milhares de policiais. Quando os críticos à cúpula tentaram invadir o perímetro de segurança, os policiais reagiram com canhões de água, gás e cassetetes. Os manifestantes responderam, em alguns casos, atirando pedras, garrafas e foguetes.

Ao longo desta semana, especialmente nesta quinta-feira, com a chegada do presidente norte-americano Donald Trump, do russo Vladimir Putin, do chinês Xi Jinping e do argentino Mauricio Macri, cerca de 20 mil policiais com veículos blindados, helicópteros e drones transformaram Hamburgo, em uma cidade blindada.

Trata-se da maior operação policial da história recente da Alemanha que conta também reforços especiais da Holanda e da Áustria.

Protestos

Há mais de vinte manifestações programadas até o final da Cúpula organizadas por ativistas, artistas e grupos de esquerda, alguns radicais, que justificaram o esquema de segurança envolvendo mais de 20 mil agentes policiais. Além disso, há o receio de atentados terroristas na cidade. Também estão marcadas performances artísticas e um show de música pop.

Estima-se que cerca de 100 mil manifestantes se reúnam nas ruas da cidade alemã antes e durante a reunião do G20.

A base dos grupos que protestam em Hamburgo é a “Rote Flora”, uma casa localizada próxima ao centro de convenções onde ocorrerá a Cúpula do G20, portanto próxima ao perímetro fechado pelo forte esquema de segurança, onde está proibido qualquer tipo de protesto.

Nesta quinta-feira, uma concessionária de carros foi incendiado. A polícia alemã coletou provas no local e investiga se o fato, que atingiu dez carros da marca Porsche, foi organizados por ativistas contra a cúpula.

Tráfico ordenou saída de usuários da nova Cracolândia para antiga, dizem agentes de segurança

O tráfico de drogas ordenou a saída dos cerca de 600 usuários de droga da nova Cracolândia, na Praça Princesa Isabel, e a ida deles para a antiga, na Alameda Cleveland, ambos no Centro de São Paulo. A informação é de agentes públicos de segurança e de representantes do poder judiciário e assistentes sociais ouvidos nesta quinta-feira (22) pelo G1.
A procissão do crack, como é conhecido deslocamento ordenado dos viciados, ocorreu na noite de quarta-feira (21). Segundo as pessoas que aceitaram falar com a reportagem sob condição de anonimato, o Primeiro Comando da Capital (PCC) determinou que os dependentes químicos deixassem a praça para evitar que novos traficantes sejam presos.
O número oficial de suspeitos detidos por tráfico não foi informado pelas fontes, mas é certo que, além das prisões de criminosos, o combate ao comércio de drogas tem prejudicado as vendas e, por conseguinte, o lucro da facção criminosa. As ações de segurança são feitas pela Polícia Militar (PM) com o apoio da Guarda Civil Metropolitana (GCM).
Os usuários tinham deixado a antiga Cracolândia em 21 de maio, quando uma operação policial para prender suspeitos de tráfico espalhou os dependentes para outras áreas da cidade. Uma delas foi a Praça Princesa Isabel, que passou a ser conhecida como nova Cracolândia.
O ‘fluxo’, como é conhecida a concentração de usuários para comprar e consumir crack, só mudou de endereço desde então: a cerca de 400 metros da antiga Cracolândia. Neste mês de junho ocorreram ao menos duas operações da PM que causaram confronto com os viciados na praça: nos dias 11 e 14. Nos dois casos, a alegação da força de segurança era de que as ações resultaram na prisão de traficantes.
Dessa vez, no entanto, a saída dos usuários da nova Cracolândia foi espontânea, sem o uso da força policial. Fotos obtidas pelo G1 mostram a chegada de policiais militares à praça logo após a debandada dos dependentes.
Ainda segundo as fontes ouvidas pela reportagem, a facção criminosa entendeu que a disposição geográfica da nova Cracolândia não era favorável ao tráfico. Como a praça havia sido cercada por policiais, a entrada da droga era dificultada. O crack que abastece os viciados vem da Favela do Moinho, segundo policiais.
Como a favela fica a uns 200 metros da praça, policiais montaram campana na Avenida Rio Branco para prender traficantes que levavam a droga. Ou seja, não há outras rotas de entrada e fuga para traficar.
Com a migração dos usuários para a Alameda Cleveland, o modus operandi do crime organizado volta a funcionar como era antes na antiga Cracolândia. Na região há mais rotas para comercializar o crack, dificultando a identificação e prisão dos traficantes. Em contrapartida, isso facilita a compra da droga pelo dependente.

Acidente entre duas ambulâncias, ônibus e carreta deixa 15 mortos na BR-101 em Guarapari, ES

Um acidente envolvendo duas ambulâncias, uma carreta e um ônibus deixou 15 mortos e vários feridos no km 343 da BR-101, em Guarapari, Grande Vitória. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), às 9h18. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que o número de mortos pode ser maior porque as equipes ainda estão no atendimento.
O acidente aconteceu por volta das 5h50 desta quinta-feira (22). Até as 11h30, os dois sentidos da rodovia seguiam interditados.
Veja fotos que testemunhas fizeram do acidente
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que a carreta, que transportava rocha, invadiu a contramão e bateu com um ônibus da Viação Águia Branca, que seguia de São Paulo para Vitória.
As duas ambulâncias seguiam atrás do coletivo e também foram atingidas. Os dois veículos pertencem aos municípios de Jerônimo Monteiro e Alfredo Chaves.
Testemunhas contaram que, assim que o caminhão bateu no ônibus, o coletivo partiu ao meio e, em seguida, pegou fogo.
Os passageiros do ônibus receberam os primeiros socorros na rodovia. Alguns foram levados para hospitais da Grande Vitória de helicóptero.

Ainda segundo a PRF, a maioria das vítimas teria morrido carbonizada.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), sete vítima estão em estado grave. Os pacientes estão internados em três hospitais:
04 no Hospital Jayme Santos Neves
02 Hospital São Lucas
01 Hospital Antônio Bezerra de Faria
A Sesa pede para que as pessoas doem sangue para as vítimas. Veja a lista de onde doar, no final da reportagem.

O secretário de Saúde de Jerônimo Monteiro, José Maria Justo, disse que o veículo do município era uma Doblô. Nela, estavam o motorista e cinco passageiros – três pacientes e dois acompanhantes. Segundo Justo, para evitar a colisão com a carreta e o ônibus, o motorista tentou desviar para o acostamento, mas acabou batendo na traseira da ambulância de Alfredo Chaves.
O motorista morreu no local do acidente e os passageiros não tiveram ferimentos. “Estamos com um sentimento de tristeza muito grande. Perdemos um colega de trabalho. Agora, os passageiros estão na sede da polícia em Anchieta, aguardando o transporte da prefeitura para que possam voltar para Jerônimo Monteiro”, disse o secretário.
A Prefeitura de Alfredo Chaves informou que na ambulância do município estavam um motorista, uma paciente e um acompanhante. Os três estão bem e já receberam atendimento médico. Segundo a prefeitura, o motorista tentou desviar do acidente e acabou capotando. A paciente seguia para um hospital de Vitória para tratar de uma torção no pé.

Mortos
O motorista da ambulância Fiat Doblô, da Secretaria de Saúde de Jerônimo Monteiro, no Sul do Estado, identificado como Alicinaldo Zampili Vargas, 36 anos, está entre as vitimas do grave acidente. No veículo estavam outras seis pessoas que ficaram ilesas.
Feridos
O motorista Mac Vinícius, que mora no Sul da Bahia, era um dos passageiros do ônibus. Ele contou que estava dormindo no momento do acidente. “Eu estava sentado na cadeira 11. Estava dormindo, quando acordei vi todo o sofrimento”, contou.
O ajudante geral Gentil Pinto dos Santos também está entre os feridos do acidente. “Só vi quando o ônibus deu uma brecada e não deu para ver mais nada”, contou.

Águia Branca
A Viação Águia Branca informou ao G1 que dentro do ônibus estavam 31 passageiros e o motorista. Uma equipe da empresa está no local do acidente prestando assistência aos passageiros. Ainda não há a confirmação de quantos mortos e feridos do coletivo.
Trânsito
A Eco 101, concessionária que administra a via, disse que a pista segue completamente interditada no km 343. Por volta das 10h, havia congestionamento de 5 km no sentido Norte. Já no sentido Sul, o trânsito estava sendo desviado no km 335, próximo ao trevo de Guarapari.

Locais para doação de sangue
Hemocentro do Estado do Espírito Santo (Hemoes)
Telefone: 3636-7900/7920/7921
Avenida Marechal Campos, 1.468, Maruípe, Vitória. Funciona de segunda-feira a sexta das 07 às 19h, e sábado, das 7h às 19h.
Unidade de Coleta à Distância da Serra
Telefone: 3218-9429/ 3218-9242.
Avenida Eudes Scherrer Souza, s/n (anexo ao Hospital Estadual Dório Silva). Funciona de segunda-feira a sexta-feira, das 07h às 16h.
Hemocentro de Linhares
Telefone: (27) 3264-6000/ 3264-6019
Avenida João Felipe Calmon, 1.305, Centro (ao lado do Hospital Rio Doce). Funciona de segunda a sexta-feira, das 07h às 12h30.
Hemocentro Regional de Colatina
Telefone: (27) 3717-2801
Rua Cassiano Castelo, s/n, Centro. Funciona de segunda a sexta-feira, das 07h às 12h30.
Hemocentro Regional de São Mateus
Telefone: (27) 3767-7957
Rodovia Otovarino Duarte Santos, Km 02, Parque Washington. Funciona de segunda a sexta-feira, das 07h às 12h30.
Para doar sangue é preciso ter de 16 a 69 anos de idade. Menores de 18 anos só podem doar com a autorização dos responsáveis. O doador deve apresentar um documento original com foto, preencher um cadastro com informações básicas e responder a um questionário. Em seguida, ele passa por uma triagem para examinar sinais vitais como pressão, pulso e temperatura.

Alexandre Garcia é chamado de ‘golpista’ em avião. Assista

Depois da grande repercussão em torno do caso envolvendo Miriam Leitão, que foi hostilizada em um avião da companhia aérea Avianca, o jornalista Alexandre Garcia, da TV Globo, passou por situação semelhante nesta quinta-feira (15). Ele foi sucessivamente chamado de “golpista” por um militante de esquerda na área de embarque de um voo da Gol que ia de Brasília para Confins, Minas Gerais, no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek.

Nas imagens gravadas pelo rapaz e divulgadas nas redes sociais, é possível perceber que os ataques verbais ao jornalista começaram já na fila de embarque e seguiram até dentro do avião. “Golpista! Vai ter Mimimiriam Leitão. Alexandre, você também vai soltar notinha se vitimizando igual a Miriam Leitão? Vocês que incentivam o ódio contra o PT, o PCdoB, contra a esquerda, vai ter mimimi também?”, grita o homem. Apesar de não reagir às provocações, Alexandre pede para falar com o comandante do voo.

“Chamaram o comandante. Eles fazem terrorismo midiático o tempo inteiro e quando a gente faz uma ‘pressãozinha’ vão chamar o comandante, fica tranquilo que a gente não vai fazer nada além do que vocês fazem diariamente na casa das pessoas”, voltou a dizer o homem. Ele se referia ao episódio relatado por Miriam Leitão em seu blog no jornal O globo, no qual afirmou ter sido vítima de violência verbal por parte de “profissionais do PT”.

“Sofri um ataque de violência verbal por parte de delegados do PT dentro de um voo. Foram duas horas de gritos, xingamentos, palavras de ordem contra mim e contra a TV Globo. Não eram jovens militantes, eram homens e mulheres representantes partidários. Alguns já em seus cinquenta anos. Fui ameaçada, tive meu nome achincalhado e fui acusada de ter defendido posições que não defendo”, desabafou ela no texto, publicado na última terça-feira (13).

Defesa de Frederico Pacheco, primo de Aécio Neves, entrega dinheiro em agência da Caixa, em BH

A defesa de Frederico Pacheco de Medeiros, primo do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), preso na Operação Patmos da Polícia Federal (PF), esteve nesta terça-feira (13) em uma agência da Caixa Econômica Federal no bairro Luxemburgo, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, onde fez um depósito judicial no valor de cerca de R$ 1.520.100,00. Este montante consta de documento ao qual a TV Globo teve acesso. O dinheiro seria parte do valor de R$ 2 milhões entregue por um diretor da JBS a Pacheco, após um pedido do tucano.

Depois de passar a tarde no banco acompanhado da Polícia Federal (PF), o advogado deixou a agência com uma mala vermelha. Ele não quis dar declarações e apenas confirmou que o depósito foi feito por parte do cliente. “É o máximo que eu posso falar”, afirmou Ricardo Ferreira de Melo.
O pedido foi registrado em uma gravação apresentada pelo empresário Joesley Batista em sua delação premiada. No áudio, com duração de cerca de 30 minutos, o então presidente nacional do PSDB justifica a solicitação, dizendo que precisava da quantia para pagar sua defesa na Lava Jato.

Frederico Pacheco foi diretor da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) nomeado por Aécio, e um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014. Ainda de acordo com as investigações, ele repassou a quantia solicitada pelo senador afastado a Mendherson Souza Lima, assessor parlamentar do senador Zeze Perrella (PMDB-MG). A PF rastreou o caminho do dinheiro e descobriu que parte foi depositada em uma empresa de Perrella.
Na casa do assessor foram apreendidos cerca de R$ 400 mil em dinheiro.
Frederico e Mendherson estão presos na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, desde o dia 18 de maio.
Na época, a assessoria de imprensa de Aécio Neves afirmou que o senador “está absolutamente tranquilo quanto à correção de todos os seus atos”.
Zeze Perrella afirmou que “nunca” recebeu “um real sequer” da JBS. “Eu quero dizer para os que me conhecem e para os que não me conhecem que eu nunca falei com o dono da Friboi. Não conheço ninguém ligado a esse grupo. Nunca recebi de maneira oficial ou extra-oficial um real sequer dessa referida empresa”, disse o senador no vídeo.

‘Todos os partidos receberam doações não contabilizadas’, diz Tarso Genro em depoimento a Moro

O ex-ministro e ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro (PT) disse ao juiz Sérgio Moro, nesta segunda-feira (12), que todos os partidos já receberam algum tipo de doação não contabilizada para campanhas eleitorais. Genro prestou depoimento na condição de testemunha de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é acusado de ter recebido propina da Odebrecht.
“Todos os partidos na história do país, na história republicana e democrática do país receberam doações não contabilizadas. A forma com que essas doações são feitas, se tem origem criminosa ou não, é outra questão. Se ela tem origem criminosa, é um delito previsto no Código Penal, através de um sistema de corrupção que envolva órgãos públicos. Se não, é crime eleitoral. Essa é minha opinião”, disse Genro ao responder uma pergunta da procuradora Isabel Cristina Groba Vieira.
Em seguida, a procuradora perguntou ao ex-ministro se o Partido dos Trabalhadores, ao qual ele é filiado, recebeu algum tipo de doação irregular. Genro afirmou que não poderia falar especificamente sobre nenhuma legenda. “Não posso falar de nenhum partido em particular. Mas sei que é um sistema originário dessa legislação distorcida, que realmente ocorre em todos os partidos”, afirmou.
O político foi ouvido por videoconferência pelo juiz. Genro estava na sede da Justiça Federal em Porto Alegre. Além das perguntas da procuradora, ele respondeu apenas às perguntas feitas pela defesa de Lula. Nem Moro, nem os demais advogados fizeram outras perguntas ao ex-ministro.
Durante pouco mais de 20 minutos, Genro tratou de defender as políticas implementadas durante o governo Lula. Entre os ministérios que comandou, lembrou do período em que esteve no da Justiça e citou das operações policiais feitas durante o período em que esteve na pasta. Muitas dessas operações, segundo ele, tinham como objetivo o combate à corrupção.
Tarso Genro também desqualificou as declarações do ex-deputado federal Pedro Corrêa, preso na Operação Lava Jato. O ex-parlamentar apresentou à Justiça uma foto em que aparece com o ex-presidente, durante uma reunião política, para sugerir que era próximo de Lula. “Não tem nada a ver [a relação]. A presença das pessoas no Conselho Político se dava pelas funções que elas exerciam no parlamento, indicadas pelas bancadas de um determinado partido ou de um partido, representado pela direção”, afirmou.
Clima em Porto Alegre
Tarso Genro chegou pouco antes das 14h à sede da Justiça Federal da capital gaúcha. A imprensa não foi autorizada a acompanhar o depoimento. Na saída, o ex-ministro falou rapidamente com os jornalistas.
Disse que não respondeu as perguntas sobre o Instituto Lula porque “não tinha informações”.”Nisso aí eu fui prejudicado, porque eu não tenho nenhuma informação, não pertencia ao instituto e nem compartilhava da sua administração”, destacou.
“Meu depoimento foi o trabalho que nós fizemos no combate à corrupção quando eu era ministro da Justica. Reforçado pela qualidade da Polícia Federal, na oportunidade, pela Controladoria Geral da União, por uma preocuopação permanente que nós tínhamos de combater o processo de corrupção sistêmica no estado brasileiro, que vem desde as capitanias hereditarias”, completou.
Questionado pelos jornalistas se defendeu o ex-presidente em seu depoimento, Tarso respondeu: “Eu não defendi, eu disse a verdade”, encerrou.
‘Não sei o que estou fazendo aqui’
Ainda na tarde desta segunda-feira, Moro ouviu os depoimentos de outras duas testemunhas, os ex-funcionários da Petrobras Mário Márcio Castrillon de Aquino e José Paulo Assis. Ambos falaram sobre os contratos que a Petrobras firmou junto à Odebrecht e que são alvo das investigações contra o ex-presidente Lula.
Os dois falaram que os procedimentos de contratação das obras da Refinaria Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, seguiram os trâmites normais dentro da Petrobras, sem irregularidades.
No depoimento de Castrillon, porém, houve um momento de descontração, logo no início da oitiva, quando Moro lembrou o ex-gerente da estatal de que deveria falar a verdade.
Moro – O senhor foi chamado como testemunha nesse processo e, na condição de testemunha, o senhor tem um compromisso com a Justiça em dizer a verdade e responder as perguntas que lhe forem feitas, certo?
Castrillon – Eu não sei porque fui chamado, mas… (risos)
Moro – Eu também não sei, mas logo saberemos, disse Moro, em tom descontraído.
Depoimentos da manhã
No período da manhã, Moro ouviu outras quatro testemunhas. Entre elas, estava o patriarca da família Odebrecht, Emilio Odebrecht, cujo depoimento foi retomado por determinação do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a pedido da defesa de Lula.
O depoimento, que ocorreu por videoconferência com São Paulo, durou cerca de seis minutos. Emílio Odebrecht foi ouvido como testemunha de acusação.

Governo faz ação em praça de SP; Prefeitura estuda local para consumo de drogas

A Prefeitura e o governo de São Paulo realizaram ontem uma nova ação para a retirada de dependentes químicos e limpeza, desta vez na Praça Princesa Isabel, região central. Horas depois, os usuários já haviam retornado ao local e, segundo o Município, serão impedidos de montar tendas e barracas. O coordenador do programa Redenção, o psiquiatra Arthur Guerra, disse ao Estado que estuda a possibilidade de, no futuro, haver áreas controladas para o consumo de droga na cidade.

A afirmação foi feita por Guerra após a operação, ao explicar o funcionamento das estruturas de acolhimento da Prefeitura. “Hoje disponibilizamos 150 lugares em contêineres e mais 120 lugares em abrigos para que os usuários possam passar a noite e tomar uma canja. Eles não são obrigados a se tratar, se quiserem podem chegar lá drogados, o que ainda não dá é para usar a droga no local. Mas quem sabe, no futuro, passe a poder.” O Estado apurou que um dos obstáculos para a decisão é como lidar com o tráfico de drogas.

Com 550 PMs, a ação da Força Tática e do Choque começou às 5 horas, quando os agentes cercaram a praça. Ao perceber a movimentação, parte dos usuários e traficantes da nova Cracolândia passou a seguir em direção à estação da Luz e ao Elevado João Goulart, abandonando as barracas montadas desde 21 de maio, quando houve a ação policial que os tirou da antiga Cracolândia.

Viaturas bloqueavam as Avenidas Rio Branco e Duque de Caxias quando o helicóptero da PM sobrevoou pela primeira vez a área, às 6h25, e mais viciados saíram. Fogueiras – acesas para espantar o frio (a temperatura média à noite foi de 8,7°C) – foram alimentadas pelos dependentes. O fogo atingiu barracos e se espalhou. A PM acionou os bombeiros e o Choque entrou na praça.

Os policiais percorreram toda a praça em meia hora. Homens do Choque, com escudos, avançaram sem resistência dos que ainda estavam lá. Um viciado acordou no meio do fogo, com queimaduras no braço, e foi socorrido. Agentes da Prefeitura limparam a área.

Três pessoas foram detidas: dois traficantes e um usuário acusado de agredir um jornalista. Denilson dos Santos, de 23 anos, e Elenilson Lopes da Silva, de 39 anos, carregavam 774 gramas de crack, R$ 1.596 e uma balança. Foram levados ao Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e autuados por tráfico.

Na Avenida Rio Branco, um viciado aguardava o fim da limpeza para ver se recuperava uma carroça, abandonada às pressas. “Só deu tempo de pegar o cobertor e uma rapadura”, disse, se recordando depois que salvara a cadeira de metal acolchoada em que estava sentado.

Atendimento

O alojamento para acolhimento em contêineres teve baixa demanda. Apenas quem havia pernoitado no local continuou por lá. Às 9 horas, o governador Geraldo Alckmin e o prefeito João Doria, ambos do PSDB, foram à praça, para onde os dependentes voltaram depois de circular pelo centro.

A estratégia, segundo a Prefeitura, era espalhar os viciados para facilitar a abordagem dos agentes de saúde e o encaminhamento para tratamento. “Este é um trabalho permanente, não vai resolver (o problema) do dia para noite. Quando há concentração você facilita a vida do traficante, atrai pessoas e dificulta a abordagem”, afirmou Alckmin.

Lula: Moro age como inimigo da verdade

A defesa do ex-presidente Lula, representada pelo advogado Cristiano Zanin Martins, afirma que as informações prestadas pelo juiz Sergio Moro ao TRF4 a respeito do pedido para que as audiências realizadas ontem por Emílio Odebrecht e Alexandrino Alencar fossem suspensas “não podem ser aceitas”; em sua defesa, Moro argumentou ao Tribunal Regional Federal que Cristiano Zanin mentiu ao dizer que não tinha conhecimento dos depoimentos prestados; em nota, o advogado rebate: “É lamentável que o juiz Sérgio Moro mais uma vez recorra a argumentos que não têm amparo legal para insultar a defesa do ex-Presidente Lula”

247 – A defesa do ex-presidente Lula, representada pelo advogado Cristiano Zanin Martins, afirma em nota nesta tarde que as informações prestadas pelo juiz Sergio Moro ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região a respeito do pedido para que as audiências realizadas ontem por Emílio Odebrecht e Alexandrino Alencar fossem suspensas “não podem ser aceitas”.

Nesta segunda, o TRF-4 acatou pedido da defesa de Lula e determinou que as audiências fossem repetidas, uma vez que houve documentos juntados pelo MPF no processo sem que a defesa do ex-presidente fosse informada. A informação sobre o anexo dos documentos veio do próprio juiz Moro, que reconheceu que a defesa não tinha conhecimento, mas negou pedido de adiamento ou repetição de audiências.

Em sua defesa após a decisão do TRF-4, no entanto, Moro argumentou que Cristiano Zanin mentiu ao dizer que não tinha conhecimento dos depoimentos prestados. Em nota, o advogado de Lula rebate: “É lamentável que o juiz Sérgio Moro mais uma vez recorra a argumentos que não têm amparo legal para insultar a defesa do ex-Presidente Lula”.

Ele também denuncia uma “interceptação de dados de navegação de um escritório de advocacia — comparável aos temerários grampos que o magistrado autorizou instalar no principal ramal do nosso escritório em 2016, para bisbilhotar as estratégias da defesa do ex-Presidente Lula.

Leia a íntegra:

Nota

O juiz Sérgio Moro age como inimigo da verdade e contra as regras internacionais de jurisdição ao fazer insinuações descabidas — do ponto de vista técnico e factual — ao TRF4 em relação ao Habeas Corpus 700003443063. Há mais uma clara tentativa de intimidar os advogados de Lula, mediante interceptação de dados de navegação de um escritório de advocacia — comparável aos temerários grampos que o magistrado autorizou instalar no principal ramal do nosso escritório em 2016, para bisbilhotar as estratégias da defesa do ex-Presidente Lula.

A reconstrução dos fatos demonstra que as informações prestadas pelo Juiz Sérgio Moro ao TRF4 não podem ser aceitas, pois:

1. Ao final da audiência realizada ontem (05/06) o juiz Sérgio Moro informou às partes que, naquele momento, dava ciência de documentos anexados aos autos pelo Ministério Público Federal (MPF);

2. Ato contínuo, a defesa do ex-Presidente indagou o juiz quais seriam os documentos juntados pelo MPF e, ainda, se houve prévia intimação sobre a juntada do material aos autos;

3. Após consultar o sistema e a assistente de sala, o próprio juiz Sérgio Moro confirmou que as partes não haviam sido intimadas em relação à juntada do material e, diante disso, houve o requerimento da defesa de Lula para o adiamento da continuidade da audiência na parte da tarde, com a adesão da defesa de outros réus pelo mesmo motivo;

4. O juiz Sérgio Moro omitiu do Tribunal todos os fatos acima, que podem ser confirmados pelos demais presentes ao ato, revelando que (i) a defesa do ex-Presidente Lula o consultou se teria havido prévia intimação sobre a juntada dos documentos novos; (ii) foi o próprio juiz que confirmou a ausência de intimação após consultar o sistema e sua auxiliar para essa finalidade;

5. A negativa do juiz para adiar a audiência foi baseada em “economia processual”, e não em prévia intimação das partes sobre os documentos juntados, até porque ele próprio constatou que isso não ocorreu;

6. Não bastasse o requerimento de adiamento da audiência ter sido formulado com base em informações do próprio Juiz Sérgio Moro, o processo penal é organizado por atos formais. A ciência de um ato judicial, como de uma juntada de documentos, somente se dá a partir do ato formal de intimação das partes, que apenas ocorreu em 05.06.2017;

7. Qualquer acesso anterior, além de não ter sido realizado pessoalmente por este advogado, não tem valor legal de intimação. A Lei do Processo Eletrônico (Lei nº 11.419/2006), em seu artigo 5º, diz que a intimação será realizada no dia em que efetivar a consulta eletrônica ao teor da intimação (abertura da intimação) ou, automaticamente, após o 10º (décimo) dia da intimação eletrônica.

É lamentável que o juiz Sérgio Moro mais uma vez recorra a argumentos que não têm amparo legal para insultar a defesa do ex-Presidente Lula. Mais lamentável ainda é que também uma vez mais ele esteja envolvido em atos de espionagem de um escritório de advocacia.

Eleições 2018: Bolsonaro lidera pesquisa para presidente em cenário sem Lula

Sem o ex-presidente Lula (PT) na disputa, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) seria o favorito para presidente do Brasil caso a eleição fosse hoje. Esse é o resultado da pesquisa realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas divulgada nesta quarta-feira (31).

Em cenário estimulado no qual o nome do ex-presidente Lula fica de fora, Bolsonaro teve 17,2% das intenções de voto. Marina Silva (Rede) vem em segundo, com 14,9%, seguida pelo prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), com 13,6%; o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa (sem partido), 8,7%; o ex-ministro e governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), 6,7%; o técnico de vôlei Bernardinho (Novo), 3,7%; o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), 3,1%. Luciana Genro (PSOL) e o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM) empatam com 1,8% das intenções de voto. Nulos são 21,9% do total, indecisos 6,4%. Como a margem de erro é de dois pontos porcentuais, Bolsonaro, Marina e Doria estão empatados tecnicamente em primeiro lugar.

Lula é alvo de seis processos judiciais e, caso seja condenado em segunda instância até o segundo semestre de 2018, corre o risco de se tornar inelegível. Jair Bolsonaro também corre esse risco porque é réu por incitação ao estupro contra a deputada federal Maria do Rosário.

Quando os eleitores ouvidos para a pesquisa receberam uma lista de nomes na qual consta Lula, o ex-presidente lidera, seguido por Bolsonaro. Lula ficou com 25,8% das intenções de voto, seguido por Bolsonaro(16,1%), João Dória (12,1%), Marina Silva (11,1%), Joaquim Barbosa (8,1%), Ciro Gomes (4,3%), Ronaldo Caiado (1,6%) e Luciana Genro (1,5%). 14,6% votariam nulo ou branco, e 4,8% estão indecisos.

O apresentador de TV Luciano Huck e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, aparecem quinto e sexto lugar das intenções de voto em cenário que apresenta Lula, ficando longe do topo das intenções.

Apesar de ainda ter muitas intenções de voto, Lula também tem a maior rejeição. Quando a pergunta é “em quem não votaria de jeito nenhum”, Lula fica com 46,5%. Bolsonaro tem menor rejeição, com 26,1%.

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